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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Curtindo os Beatles adoidado finale

A música acabou se tornando um grande sucesso, sobretudo nos shows ao vivo dos Beatles de 1963 a 1966. Uma de suas apresentações mais cômicas aconteceu no Royal Command Performance em novembro de 1963, tendo a rainha Elizabeth II e toda a Família Real britânica no camarote. Ao apresentar a música, John soltou: "For our last number I'd like to ask your help. The people in the cheaper seats clap your hands. And the rest of you, if you'd just rattle your jewellery. We'd like to sing a song called Twist And Shout". ("para nosso último número, gostaríamos de pedir sua ajuda. As pessoas sentadas nos lugares mais baratos batam palmas o resto de vocês pode chacoalhar as joias. gostaríamos de cantar uma canção chamada Twist and Shout").

Foi lançada em single em 1964 para o mercado dos EUA, tendo por lado B There's a Place e alcançou o topo das paradas. Foi também lançada como EP (compacto duplo) na Inglaterra, contando com Do You Want to Know a Secret, A Taste of HoneyThere's a Place (outras músicas do álbum Please Please Me).

Pouco depois do álbum dos Beatles, a banda britânica Brian Poole & The Tremeloes gravou e lançou sua versão tendo como base o cover dos Fab 4. Curiosamente, essa banda havia sido escolhida no início de 1962 pela Decca Records em lugar dos Beatles, que haviam sido rejeitados.

Há outras versões da música como as interpretadas por The Searchers, The Iguanas, The Mamas & The Papas e The Shangrilas, entre outras. A fama de que ela seria uma composição dos Beatles veio especialmente quando foi redescoberta pela geração Y no filme Ferry Bueller's Day Off (Curtindo a Vida Adoidado) de 1986, estrelado por Matthew Broderick. A imagem de Ferry Bueller (personagem de Broderick) dublando a música numa parada de rua, entrou para o imaginário geral e é uma das cenas mais icônicas da história da Sétima Arte. Veja o clip aqui.

Por falar em cinema, ela fez parte dos filmes The Birth of Beatles (1979) e Backbeat (1995), duas biografias filmadas dos Beatles, sendo interpretada pelas bandas Rain e Backbeat, respectivamente.

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: backing vocals, baixo
George: backing vocals, guitarra líder
Ringo: bateria

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/twist-and-shout/
http://www.beatlesebooks.com/twist-and-shout
John antes do gracejo no Rayal Command Variety (1963)  

terça-feira, 5 de abril de 2011

Curtindo os Beatles adoidado parte 1

Gostaram do título? É uma brincadeira com o nome do filme Curtindo a Vida Adoidado. Já sabem de que música que eu vou falar, né? A dica é explícita.

Twist and Shout foi composta em 1961 pelo produtor e compositor americano Bert Berns (1929-1967), usando o pseudônimo Bert Russell em parceria com o compositor Phil Medley (1916-1997). Como o nome entrega, foi feita para aproveitar a onda do Twist, uma dança em voga, popularizada pelo cantor Chubby Checker naquele ano. Ela havia sido gravada originalmente pelo grupo The Top Notes com a produção do ainda inexperiente Phil Spector. Como Bert Berns detestou a versão produzida por Spector, regravou-a em 1962 com o grupo The Isley Brothers, tendo como lado B Spanish Twist. Na ocasião, não deixou ninguém meter o bedelho e cuidou ele mesmo da produção. Resultado: foi o segundo melhor hit da carreira dos Isley (seu primeiro sucesso fora em 1959 com Shout!) e um clássico do início da década.

Bert Berns (ou Russell) continuou compondo e produzindo várias músicas ao longo da década de 60 das quais podemos destacar o clássico sessentista Hang on Sloopy (imortalizada pelos McCoys), Here Comes The Night (gravada pela banda irlandesa Them que apresentou para o mundo o cantor Van Morrison) e Piece of My Heart, um clássico de Janis Joplin & Big Brother & Holding Company em seu álbum de estréia. Ele morreu em 1967 aos 38 anos de um ataque cardíaco. Já Medley não teve tanto êxito quanto seu parceiro mas compôs com ele  If I Didn't Have a Dime, um hit menor de Gene Pitney.

Os Beatles ouviram a versão dos Isley Brother e a adotaram em seu repertório dos shows pré-Parlophone. Uma versão primitiva foi tocada no show do Star Club em Hamburgo (que foi lançada no álbum semioficial Live at Star-Club, 1962 em 1977). Em suas primeiras incursões em programas da BBC, a música também fazia parte do repertório daquelas apresentações.

Quando os Beatles começaram as sessões de gravação de seu álbum de estréia, Please Please Me (1963), George Martin sugeriu que eles listassem algumas coisas que eles costumavam tocar no Cavern Club, além de composições originais. Twist and Shout foi incluída pelo potencial climático. Era uma das melhores dos shows e por pouco não ficou de fora do disco. No dia em que estavam gravando o disco, John estava gripado e dando conta do recado graças a pastilhas que estava chupando para aliviar a dor de garganta. No fim do dia, com praticamente todo o material do álbum gravado, faltava uma música para fechar os trabalhos. Aí entrou em cena Twist and Shout, prevista para dois takes. Caso tais tomadas não saíssem a contento, no dia seguinte, eles voltariam a trabalhar nela. Só que John não queria deixar para outra ocasião. Ele deve ter pensado consigo mesmo: "ou vai ou racha". Quando começaram a gravar o primeiro take, John mandou ver no gogó, o que criou uma energia que seus colegas de banda sentiram, deixando a gravação transcorrer sem problemas. Quando acabou, George Martin gostou do resultado e sugeriu, brincando, um segundo take. Nessa altura do campeonato John já estava sem voz e estava pedindo arrego!

Continua no próximo post

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/twist-and-shout/
http://www.beatlesebooks.com/twist-and-shout

Isley Brothers: sucesso com Twist & Shout

segunda-feira, 28 de março de 2011

Um doce de música

Na formação musical dos Beatles está o fascínio que tinham por musicais, desde o vaudeville britânico de West End até  peças americanas da Broadway. As músicas dessas produções fizeram parte do repertório recorrente dos Beatles, especialmente no início dos anos 60.

A Taste of Honey foi composta por Bobby Scott e Ric Marlow em 1960 tendo por inspiração o tema recorrente (instrumental) da montagem para a Broadway de uma peça original britânica de mesmo nome. Em 1961, foi feito um filme adaptado da peça (veja um trecho). A primeira versão  cantada foi lançada em 1962, tendo por intérprete o cantor britânico Lenny Welch num single bem sucedido. A versão instrumental de Bobby Scott faria sucesso em 1963, ganhando um Grammy.

A partir da versão de Welch, no mesmo ano, os Beatles incluíram sua versão nos shows pré-Parlophone. O primeiro registro dela com os Beatles foi feito no show que os Beatles fizeram no Star Club em Hamburgo (sendo lançada em 1977 no semioficial The Beatles Live at Star Club 1962). Quando os Beatles entraram em estúdio para gravar seu primeiro álbum, Please Please Me (1963), a música foi incluída no set list. Também a tocaram em alguns programas que fizeram na BBC (uma versão foi lançada no álbum Live at BBC. para cantá-la, a escolha óbvia era Paul, o romântico de plantão. A letra da música fala da comparação entre os beijos da pessoa amada com algo "mais doce que o mel" e tem uma terceira estrofe que Paul só canta na versão do álbum Live at Star Club.

Essa música é um verdadeiro standard popular, tendo sido gravada por grandes cantores como Tom Jones, Johnny Mathis e Andy Williams. Sua versão instrumental foi interpretada por Herb Alpert & Tijuana Brass, alcançando um grande sucesso em 1965. Há outras versões como as interpretadas por Peggy LeeSarah Vaughn, Bobby Darin, HolliesBarbra Streisend,  Acker Bilk, Harry James & His Orchestra e a banda The Hassles (de onde saiu o cantor e pianista Billy Joel), entre outros. Num post futuro eu escrevo sobre outras versões.

Nos anos 70, foi formado um duo vocal feminino chamado A Taste of Honey que fez sucesso com a música Boogie Oogie Oogie, um clássico da Disco Music.

Fontes:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/a-taste-of-honey/

Lenny Welch, primeiro intérprete da
versão cantada de A Taste of Honey

quarta-feira, 16 de março de 2011

Grilos e Besouros - parte 2

Outro grande músico britânico que rende tributo a Buddy Holly & The Crickets é Mick Jagger. Apesar de os Rolling Stones fazerem parte da vertente mais ligada ao Blues (Muddy Waters, Lightinin' Hopkins e T-Bone Walker, entre outros) ele e Keith Richards sempre foram entusiastas dos Rockers americanos como Buddy, Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Bo Diddley.

Outra música de Buddy Holly & The Crickets que fazia parte do repertório recorrente dos Beatles em sua fase pré-Parlophone é a quase obscura Reminiscing, que foi composta por Buddy provavelmente em 1958. Foi dado o crédito de co-autoria ao lendário saxofonista King Curtis (biografia aqui), um virtuoso músico de estúdio que teve no currículo, além das gravações com Buddy Holly,  trabalhos com os Coasters e uma grande parceria com Aretha Franklin em sua fase inicial. Curiosidade: The Kingpins, banda de apoio de Aretha e que tinha Curtis em seu line up abriu o memorável show dos Beatles no Shea Stadium em 1965.

A canção, só foi lançada em 1962, uns três anos após a morte de Buddy através do álbum homônimo.A letra da canção fala sobre alguém relebrando um fato que lhe causou muita mágoa.

Essa música entrou para o repertório dos Beatles logo que foi lançada através de um single na Inglaterra e o único registro gravado pelso Fab 4 é o do show do Star Club em Hamburgo, que foi lançado em 1977 (Live at Star Club, 1962).

Ficha técnica:
George: vocal principal, guitarra líder
John: guitarra rítmica
Paul: baixo
Ringo: bateria

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatles-discography.com/songs/?title=reminiscing
Star Club (1962) - lembranças de um bom show

terça-feira, 15 de março de 2011

"Seo" Luar é meu amigo

Para o título do post, fiz um trocadilho entre uma frase da música Banho de Lua ("Se o luar é meu amigo, censurar ninguém se atreve") da nossa eterna Rainha do Rock brasileiro Celly Campello e a canção que vai ser tratada neste post. Sabem qual é? Ganhou um doce quem disse Mr. Moonlight!

A música foi composta em 1962 por Roy Lee Johnson e gravada originalmente por Piano Red, usando o pseudônimo Dr. Feelgood & The Interns. Foi lado B do single Dr. Feelgood e a canção estaria relegada ao limbo dos lados B's de discos lançados não fosse o fato de os Beatles, ainda em sua fase pré-Parlophone, usarem como estratégia tocar tais músicas em seus shows, diferenciando de outras bandas que preferiam os temas principais dos discos.

Piano Red (pseudônimo do pianista William "Willie" Lee Perryman) nasceu em 19 de outubro de 1911 em Hampton, Georgia que tinha uma peculiaridade curiosa: ele era um afro-americano albino. Aprendeu piano muito cedo e tentou a sorte tocando em clubes. Só foi estourar quando tinha quase quarenta anos em 1950 com os singles Rockin' With Red e Red's Boogie que alcançaram o top 5 das paradas de Rhythm & Blues. Em 1961, conheceu o guitarrista Roy Lee Johnson e formou a banda Dr. Feelgood & The Interns. Johnson é o compositor de Mr. Moonlight e o vocalista principal da versão original. Mesmo depois de Willie e Roy seguirem caminhos opostos, o pianista aprticipou de festivais de Blues e Jazz itinerantes pela Inglaterra granjeou o carinho dos músicos ingleses do final da década de 60 como o futuro guitarrista dos Wings Henry McCulloch (que batizou um pub do qual era dono com o nome Dr. Feelgood) e a banda Badfinger que lhe rendeu homenagem com a música Piano Red [note que tanto McCulloch e o Badfinger fazem parte da cronologia dos Beatles em momentos distintos].Willie morreu de câncer em 1985.

No show que os Beatles fizeram no Star Club em Hamburgo em 1962 (que virou o semi-oficial Live at Star Club, 1962), aparece uma versão mais primitiva da música. Depois, entrou para o repertório da banda em shows pela BBC e seria, enfim, colocada no set list das sessões do álbum Beatles For Sale (1964), que foi o penúltimo disco a conter covers.

A música é uma interessante mistura de Rhythm & Blues e levada latina e sua letra fala sobre a amizade de um cara com o "Senhor" Luar, que lhe concedeu o amor de sua vida. Lua é sinônimo de romance, capisce?

A música tem a curiosa introdução numa música gravada pelos Beatles de um tambor africano tocado por George e um solo de órgão Hammond muito bem tocado por Paul, além do grito inicial de John que faz estremecer as bases de quem ouve a canção. No álbum Anthology (1995) há um outtake onde ao invès do Hammond é o solo de guitara de George que entra em evidência.

Além dos Beatles, Mr. Moonlght foi gravada por The Hollies e The Merseybeats. Deve haver alguma outra versão obscura que o leitor pode indicar através dos comentários. Eu dou o devido crédito.

Ficha técnica:

John: vocal principal, violão
Paul: backing vocals, baixo, órgão Hammond
George: guitarra líder, tambor africano
Ringo: percussão, talvez bongôs

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/mr-moonlight/
http://www.beatlesebooks.com/moonlight
Piano Red (primeiro à esq.) ou Dr. Feelgood & The Interns:
os primeiros a tocarem Mr. Moonlght

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

I'm Talkin' bout Beatles

O título do post é uma redundância proposital para fazer um trocadilho usando o objetivo do blog (falar sobre os Beatles e o tema a ser mostrado, no caso a canção I'm Talkin' bout You.
A canção foi composta por Chuck Berry em 1961 e lançada em single, tendo como lado B Little Star. É fato que os jovens músicos ingleses foram influenciados por Chuck Berry e os Beatles não ficaram atrás. Tanto é que, no repertório dos tempos de Cavern Club, eles tocavam vários clássicos do mestre (Johnny B. Goode, Rock and Roll Music, Roll Over Beethoven, Schooldays, Memphis, Too Much Monkey Business) e outras peças obscuras dele (I Got to Find My Baby, I'm Talkin' bout You).
A canção, que fala de um cara que está a fim de uma garota (assunto recorrente em algumas músicas de Chuck Berry), fazia parte do repertório regular da banda, embora nunca tenha figurado nos álbuns deles. O registro da versão dos Beatles saiu no semi-oficial Live at Star-Club, 1962 (1977) e em muitos bootlegs da coleção Beatles at the Beeb (registros dos programas de rádio que os Fab e faziam na BBC). Foi a inspiração para a composição do clássico Beatle I Saw Her Standing There do álbum Please Please Me. A canção também foi gravada por The Hollies, The Rolling Stones e The Yardbirds, entre outros. Confira aqui a letra.

Ficha técnica:

John: guitarra rítmica, vocal principal
Paul: baixo
George: guitarra líder
Ringo: bateria


Detalhe do single lançado por Chuck Berry
Fontes:

http://www.beatles-discography.com/songs
http://www.chuckberry.com/music/covers.htm