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sexta-feira, 18 de março de 2011

Grilos e Besouros - parte 5

Devido ao grande sucesso de Buddy Holly & The Crickets junto aos jovens ingleses, a banda acabou fazendo uma história turnê pelas ilhas britânicas. Entre os espectadores dos shows feitos em terras britânicas estavam dois futuros rockstars Paul McCartney e Mick Jagger.

Words of Love foi composta e gravada por Buddy em 1957 e foi lançada como single tendo como lado B Mailman Bring Me No More Blues [falamos dessa música num post anterior]. Nessa versão original, Buddy toca as duas guitarras e faz os dois vocais. Acredita-se que ele tenha sido o pioneiro no uso do recurso chamado double track que permite a gravação de duas trilhas uma sobreposta à outra, dando a impressão que foram tocadas ao mesmo tempo (por exemplo, uma voz fazendo harmonia para outra). Os Beatles usaram muito esse recurso em seus discos.

A letra da música fala, obviamente, de doces palavras de amor que um cara espera ouvir de sua amada. Curiosidade: John usa um trecho da música - the words I long to hear [as palavras que eu gostaria de ouvir] - na sua composição All I've Got to Do do álbum With The Beatles (1963.), onde troca o "I" por "you".

A canção entrou no repertório dos Beatles em 1958 e até 1962 ela era cantada por John e George nos shows da banda. Foi tocada em alguns programas que os Beatles fizeram na BBC e quando gravaram a canção no álbum Beatles For Sale, Paul passou a fazer o dueto com John. Ringo toca bateria e faz uma percussão batendo as baquetas num caixote ou mala, numa homenagem ao baterista dos Crickets Jerry Allison. Quem ouve a música tem a impressão que são palmas batidas em colcheia.

Além dos Beatles, há versões de Words of Love com The Diamonds (gravada no esmo ano que a original), Jessica Lea Mayfield e Pat DiNizio (Smithreens) num álbum em homenagem a Buddy Holly gravado em 2009, por ocasião dos 50 anos de sua morte. Paul canta e toca um trechinho dela no documentário The Real Buddy Holly Story (1985). Há uma música do grupo californiano The Mamas & The Papas chamada Words of Love que nada tem a ver com a composição de Buddy a não ser o título.

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: vocal principal, baixo
George: guitarra líder
Ringo: bateria, percussão num caixote

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesebooks.com/words-of-love
http://www.beatlesbible.com/songs/words-of-love/
http://buddyholly.pagesperso-orange.fr/page3.htm


Álbum da discografia americana dos Beatles
que contém Word of Love


terça-feira, 15 de março de 2011

"Seo" Luar é meu amigo

Para o título do post, fiz um trocadilho entre uma frase da música Banho de Lua ("Se o luar é meu amigo, censurar ninguém se atreve") da nossa eterna Rainha do Rock brasileiro Celly Campello e a canção que vai ser tratada neste post. Sabem qual é? Ganhou um doce quem disse Mr. Moonlight!

A música foi composta em 1962 por Roy Lee Johnson e gravada originalmente por Piano Red, usando o pseudônimo Dr. Feelgood & The Interns. Foi lado B do single Dr. Feelgood e a canção estaria relegada ao limbo dos lados B's de discos lançados não fosse o fato de os Beatles, ainda em sua fase pré-Parlophone, usarem como estratégia tocar tais músicas em seus shows, diferenciando de outras bandas que preferiam os temas principais dos discos.

Piano Red (pseudônimo do pianista William "Willie" Lee Perryman) nasceu em 19 de outubro de 1911 em Hampton, Georgia que tinha uma peculiaridade curiosa: ele era um afro-americano albino. Aprendeu piano muito cedo e tentou a sorte tocando em clubes. Só foi estourar quando tinha quase quarenta anos em 1950 com os singles Rockin' With Red e Red's Boogie que alcançaram o top 5 das paradas de Rhythm & Blues. Em 1961, conheceu o guitarrista Roy Lee Johnson e formou a banda Dr. Feelgood & The Interns. Johnson é o compositor de Mr. Moonlight e o vocalista principal da versão original. Mesmo depois de Willie e Roy seguirem caminhos opostos, o pianista aprticipou de festivais de Blues e Jazz itinerantes pela Inglaterra granjeou o carinho dos músicos ingleses do final da década de 60 como o futuro guitarrista dos Wings Henry McCulloch (que batizou um pub do qual era dono com o nome Dr. Feelgood) e a banda Badfinger que lhe rendeu homenagem com a música Piano Red [note que tanto McCulloch e o Badfinger fazem parte da cronologia dos Beatles em momentos distintos].Willie morreu de câncer em 1985.

No show que os Beatles fizeram no Star Club em Hamburgo em 1962 (que virou o semi-oficial Live at Star Club, 1962), aparece uma versão mais primitiva da música. Depois, entrou para o repertório da banda em shows pela BBC e seria, enfim, colocada no set list das sessões do álbum Beatles For Sale (1964), que foi o penúltimo disco a conter covers.

A música é uma interessante mistura de Rhythm & Blues e levada latina e sua letra fala sobre a amizade de um cara com o "Senhor" Luar, que lhe concedeu o amor de sua vida. Lua é sinônimo de romance, capisce?

A música tem a curiosa introdução numa música gravada pelos Beatles de um tambor africano tocado por George e um solo de órgão Hammond muito bem tocado por Paul, além do grito inicial de John que faz estremecer as bases de quem ouve a canção. No álbum Anthology (1995) há um outtake onde ao invès do Hammond é o solo de guitara de George que entra em evidência.

Além dos Beatles, Mr. Moonlght foi gravada por The Hollies e The Merseybeats. Deve haver alguma outra versão obscura que o leitor pode indicar através dos comentários. Eu dou o devido crédito.

Ficha técnica:

John: vocal principal, violão
Paul: backing vocals, baixo, órgão Hammond
George: guitarra líder, tambor africano
Ringo: percussão, talvez bongôs

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/mr-moonlight/
http://www.beatlesebooks.com/moonlight
Piano Red (primeiro à esq.) ou Dr. Feelgood & The Interns:
os primeiros a tocarem Mr. Moonlght

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

George interpreta Covers

Hoje é aniversário do George e vamos fazer uma homenagem a ele neste e nos próximos dois posts, mostrando algumas de suas facetas enquanto Beatle. Para abrir esta série vamos falar sobre Everybody's Trying To Be My Baby, um dos muitos covers que George cantou com os Fab 4.

Essa musica foi composta e gravada originalmente por Carl Perkins em 1957, uma das grandes influências dos Beatles, sobretudo para George. As músicas de Perkins faziam parte do repertório da banda em seus primórdios e apenas algumas acabaram aparecendo em discos oficiais e bootlegs dos Beatles. Hora dessas eu posto uma matéria sobre o grande Carl Perkins no blog Biografias Musicais.

Everybody's... acabou figurando no álbum Beatles For Sale (1964) e em alguns programas da BBC. Reza a lenda que quando os Beatles estavam gravando as sessões da canção, Carl Perkins estava na cabine de som conferindo os takes feitos pela banda. Imaginem o orgulho dele ao ver seus pupilos prestando-lhe esse tributo...

A letra da canção em estilo Rockabilly fala de um sujeito disputado pela mulherada [no melhor estilo "mamãe passou açúcar em mim" do nosso querido e saudoso Wilson Simonal].

George acabou tocando essa canção junto com seu ídolo num especial chamado Carl Perkins & Friends.

Ficha técnica:

George: vocal principal, guitarra líder
John: guitarra rítmica, pandeiro
Paul: baixo
Ringo: bateria

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/everybodys-trying-to-be-my-baby/

George: grande fã de Carl Perkins