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domingo, 20 de março de 2011

Grilos e Besouros - bônus

Segue, abaixo, como bônus aos fãs desses dois grandes grupos, algumas coisas interessantes do You Tube envolvendo os Beatles e os Crickets.

- John cantando algumas canções de Buddy Holly (das sessões do álbum Rock and Roll e algumas gravações caseiras)

- Paul tocando e cantando músicas de Buddy em diversos momentos.

- John, de novo, cantando Rave On numa gravação caseira.

- Paul e amigos (Linda, Denny Laine, Don Everly, os Crickets) em trechos do evento criado por ele chamado Buddy Holly Week (e não "Day" como escrevi em alguns posts anteriores), junto com depoimentos de Maria Elena Santiago Holly (viúva de Buddy Holly) e Roy Orbison.

- Abertura do documentário The Real Buddy Holly Story (1985) mostrando Paul e Sonny Curtis dos Crickets.

- Maybe Baby numa curiosa montagem misturando as versões cantadas por Paul e John em momentos distintos. Vale pela curiosidade.

- John e amigos (Yoko, Ringo, Phil Spector, entre outros) cantando e tocando  algumas músicas de Buddy Holly em 1971 no aniversário do Beatle.

Fonte: You Tube





Grilos e Besouros - apêndice

Não poderia finalizar esta série sem falar de músicas de Buddy Holly & The Crickets que foram interpretadas pelos Beatles mas infelizmente não foram feitos registros. Através de depoimentos feitos pelos próprios Fab 4 e por pessoas ligadas a eles é que é possível saber que eles tocaram tais músicas.

Peggy Sue foi composta por Buddy Holly em 1957 com o nome Cindy Lou (nome de sua sobrinha) e que foi alterado para homenagear a namorada e futura esposa do baterista dos Crickets Jerry Allison, listado como coautor junto com o produtor da banda Norman Petty. Ela teria servido de inspiração para a composição do clássico dos Beatles P.S. I Love You. Foi gravada por John em seu álbum solo Rock and Roll (1975) e interpretada por Paul nos anos 70.

Peggy Sue Got Married é uma sequencia da "saga" anterior e foi composta por Buddy em 1958 e lançada póstumamente. Ela foi lembrada pelos Beatles durante as Get Back Sessions e intitulou o ótimo filme de Francis Ford Coppola, homônimo (que em português foi chamado Peggy Sue, Seu Passado a Espera).

Everyday foi composta por Buddy e gravada em 1957 e tem o produtor Norman Petty listado como coautor. Apresenta uma celeste, uma espécie de xilofone ou glockenspiel. Essa os Beatles não lembraram de gravar nem nas Get Back Sessions.

It's So Easy foi composta por Buddy em 1958 e lançada no álbum póstumo The Buddy Holly Story (1959). Pena que os Beatles nunca a gravaram. Ia ficar muito legal. Paul costuma tocá-la no soundcheck de seus shows.

Maybe Baby foi composta por Norman Petty e Buddy Holly em 1957 e gravada no álbum The Chirpin' Crickets. Foi lembrada nas Get Back Sessions e Paul gravou-a, com produção e produção e participação de Jeff Lynne para a trilha sonora do filme Maybe Baby (Como Fazer Bebês) de 2000.

Think It Over foi composta nos mesmos moldes de Peggy Sue em 1958 e lançada no álbum já citado The Buddy Holly. Conta a lenda que numa apresentação dela, provavelmente no Cavern Club, John teve que cantá-la sem tocar guitarra, evocando aqueles vocalistas que só cantavam sem tocar instrumento algum [alguém sabe algo mais? Basta postar nos comentários que dou o devido crédito].

Raining in My Heart era da fase de Buddy já sem os Crickets e foi composta em 1958 pelo casal Felice e Boudleuax Bryant, que escreviam para os Everly Brothers.

Early In the Morning foi composta em 1958 por Bobby Darin e Woody Harris e foi baseada no clássico de Ray Charles Hallellujah I Love her So. Esta foi lembrada nas Get Back Sessions.

Love is Strange foi escrita por Ethel Smith em 1956 e foi gravada primeiramente por Mickey & Sylvia, tendo sido um hit naquele ano. Até hoje ela é alvo de disputas judiciais. A versão de Buddy provavelmente foi gravada em 1959 e só lançada em 1968. Os Beatles lembraram dela nas Get Back Sessions e Paul tocou-a nos anos 70.

Well...Alright foi composta em 1958 por Buddy, Jerry Allison e o baixista Joe Maudlin e a costumeira coautoria atribuída a Norman Petty e também foi lançada num álbum posterior à morte de Buddy Holly. Outra lembrada nas Get Back Sessions.

Como podem ver, os Beatles eram realmente grandes admiradores de Buddy Holly & The Crickets.

Fonte:

Wikipedia (em inglês)
www.beatlesbible.com


Buddy e Paul McCartney = grilo e besouro

sexta-feira, 18 de março de 2011

Grilos e Besouros - Finale

Buddy Holly foi muito importante não só como grande guitarrista, cantor e performer. Foi também compositor, arranjador e produtor, uma espécie de all-in-one, coisa rara nos artistas dos anos 50. Paul McCartney certa vez comentou que essa faceta produtiva de Buddy sempre o encantou. Ele teria dito para John: "Uau! Ele compõe e é músico!"

Para finalizar essa série, vamos falar de uma canção que foi gravada pelos Crickets sem Buddy Holly (já que nas partes 2 e 3 falamos de duas músicas de Buddy sem os Crickets).

Don't Ever Change foi escrita pelo casal de compositores Gerry Goffin & Carole King (estou devendo uma matéria com eles nas Biografias Musicais) em 1961 e gravada pelos Crickets no ano seguinte. A canção alcançou o top 5 nas paradas britânicas. Sua letra fala de um cara que pede à amada que que ela nunca mude de jeito. Há uma temática parecida no clássico dos anos 70 Just the Way You Are, interpretado por Billy Joel (seu compositor) e Barry White.

Ela foi gravada num dos programas que os Beatles faziam na BBC e traz um raro momento em que Paul e George fazem um dueto vocal nos Beatles (seja em covers ou composições próprias). Foi lançada no álbum Live at BBC (1994).

Há outras versões da música interpretadas por Brinsley Schwartz (1973) e Mud (1982).

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, baixo
George: vocal principal, guitarra líder
John: guitarra rítmica
Ringo: bateria

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/dont-ever-change/


73333081, Getty Images /CBS
Paul e George: dueto em Don't Ever Change
Crédito: Gettyimages


Grilos e Besouros - parte 5

Devido ao grande sucesso de Buddy Holly & The Crickets junto aos jovens ingleses, a banda acabou fazendo uma história turnê pelas ilhas britânicas. Entre os espectadores dos shows feitos em terras britânicas estavam dois futuros rockstars Paul McCartney e Mick Jagger.

Words of Love foi composta e gravada por Buddy em 1957 e foi lançada como single tendo como lado B Mailman Bring Me No More Blues [falamos dessa música num post anterior]. Nessa versão original, Buddy toca as duas guitarras e faz os dois vocais. Acredita-se que ele tenha sido o pioneiro no uso do recurso chamado double track que permite a gravação de duas trilhas uma sobreposta à outra, dando a impressão que foram tocadas ao mesmo tempo (por exemplo, uma voz fazendo harmonia para outra). Os Beatles usaram muito esse recurso em seus discos.

A letra da música fala, obviamente, de doces palavras de amor que um cara espera ouvir de sua amada. Curiosidade: John usa um trecho da música - the words I long to hear [as palavras que eu gostaria de ouvir] - na sua composição All I've Got to Do do álbum With The Beatles (1963.), onde troca o "I" por "you".

A canção entrou no repertório dos Beatles em 1958 e até 1962 ela era cantada por John e George nos shows da banda. Foi tocada em alguns programas que os Beatles fizeram na BBC e quando gravaram a canção no álbum Beatles For Sale, Paul passou a fazer o dueto com John. Ringo toca bateria e faz uma percussão batendo as baquetas num caixote ou mala, numa homenagem ao baterista dos Crickets Jerry Allison. Quem ouve a música tem a impressão que são palmas batidas em colcheia.

Além dos Beatles, há versões de Words of Love com The Diamonds (gravada no esmo ano que a original), Jessica Lea Mayfield e Pat DiNizio (Smithreens) num álbum em homenagem a Buddy Holly gravado em 2009, por ocasião dos 50 anos de sua morte. Paul canta e toca um trechinho dela no documentário The Real Buddy Holly Story (1985). Há uma música do grupo californiano The Mamas & The Papas chamada Words of Love que nada tem a ver com a composição de Buddy a não ser o título.

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: vocal principal, baixo
George: guitarra líder
Ringo: bateria, percussão num caixote

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesebooks.com/words-of-love
http://www.beatlesbible.com/songs/words-of-love/
http://buddyholly.pagesperso-orange.fr/page3.htm


Álbum da discografia americana dos Beatles
que contém Word of Love


quinta-feira, 17 de março de 2011

Grilos e Besouros - parte 3

Embora Buddy Holly tenha crescido e vivido no meio Country, sua versatilidade e ecletismo eram bastante evidentes. Ele podia ir de uma conotação mais voltada ao estilo do Grand Ole Opry (a versão primitiva de That'll Be The Day), pelo Rockabilly (Rock Around Ollie Vee e Oh Boy) e até Rhythm & Blues (Not Fade Away) e baladas orquestradas (It Doesn't Matter Anymore).

Neste post vamos fazer um crossover entre essa série específica sobre covers de Buddy Holly e a série Get Back Sessions falando de Not Fade Away, canção escrita em 1957 por Buddy usando seu nome de batismo Charles Hardin, dando o crédito de co-autor a Norman Petty, o produtor dos Crickets por mera formalidade. Holly era fascinado pelo estilo de Bo Diddley, uma mistura entre R & B e rítmo africano e construiu a música com essa estrutura. Em suas últimas sessões em estúdio, Buddy chegou a gravar um cover da principal canção de Ellas McDaniel (outro nome usado por Bo Diddley) chamada Bo Diddley, que foi lançado num álbum póstumo. A canção foi lançada como lado B do single Oh Boy e fez parte do primeiro álbum The Chirpin' Crickets. A letra fala de uma proposta de amor eterno que não vai desaparecer

Como grandes admiradores dos Crickets é de se supor que essa música fizesse parte do repertório dos Beatles, embora não existam registros dela nessa fase dos Fab 4. Quando eles começaram as famigeradas Get Back Sessions, Not fade Away foi lembrada e eles chegaram a ensaiá-la no dia 29 de janeiro de 1969, misturando com a já citada Bo Diddley num Rock do Beatle Doido.

Uma das versões mais conhecidas da canção é a que foi gravada pelos Rolling Stones em seu álbum de estréia (versão americana) em 1964. Além dessa podemos citar os covers de Bob Fuller Four, Rush, Status Quo, Grateful Dead, Bruce Springsteen & E-Street Band e Supremes, que a gravaram em 1964 mas só foi lançada em 2008 (!!).

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: baixo
George: guitarra líder
Ringo: bateria
Billy Preston: teclados

Fontes:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/features/get-back-let-it-be-sessions-complete-song-list/

Buddy Holly: o Rock and Roll nunca vai desaparecer

quarta-feira, 16 de março de 2011

Grilos e Besouros - parte 2

Outro grande músico britânico que rende tributo a Buddy Holly & The Crickets é Mick Jagger. Apesar de os Rolling Stones fazerem parte da vertente mais ligada ao Blues (Muddy Waters, Lightinin' Hopkins e T-Bone Walker, entre outros) ele e Keith Richards sempre foram entusiastas dos Rockers americanos como Buddy, Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Bo Diddley.

Outra música de Buddy Holly & The Crickets que fazia parte do repertório recorrente dos Beatles em sua fase pré-Parlophone é a quase obscura Reminiscing, que foi composta por Buddy provavelmente em 1958. Foi dado o crédito de co-autoria ao lendário saxofonista King Curtis (biografia aqui), um virtuoso músico de estúdio que teve no currículo, além das gravações com Buddy Holly,  trabalhos com os Coasters e uma grande parceria com Aretha Franklin em sua fase inicial. Curiosidade: The Kingpins, banda de apoio de Aretha e que tinha Curtis em seu line up abriu o memorável show dos Beatles no Shea Stadium em 1965.

A canção, só foi lançada em 1962, uns três anos após a morte de Buddy através do álbum homônimo.A letra da canção fala sobre alguém relebrando um fato que lhe causou muita mágoa.

Essa música entrou para o repertório dos Beatles logo que foi lançada através de um single na Inglaterra e o único registro gravado pelso Fab 4 é o do show do Star Club em Hamburgo, que foi lançado em 1977 (Live at Star Club, 1962).

Ficha técnica:
George: vocal principal, guitarra líder
John: guitarra rítmica
Paul: baixo
Ringo: bateria

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatles-discography.com/songs/?title=reminiscing
Star Club (1962) - lembranças de um bom show

Grilos e Besouros - parte 1

Buddy Holly & The Crickets foi uma das principais bandas do advento da Primeira Onda, tendo sido  grande influência para as então emergentes bandas britânicas do início da década de 60 que se destacaram no chamado Mersey Beat. Como não poderia deixar de ser, os Beatles beberam muito na fonte daquela banda americana, tanto que seu repertório tinha vários covers deles. Neste post e nos próximos, vamos falar das canções dos Crickets das quais existe o registro da da interpretação dos Beatles em sua trajetória. Vamos falar um pouco sobre algumas curiosidades sobre o grupo. A biografia de Buddy Holly foi escrita num post do blog Biografias Musicais.

Para começar a série, vamos falar de uma das principais músicas dos Crickets That'll Be the Day, que foi escrita em 1956 por Buddy Holly e Jerry Allison (baixista dos Crickets) e tem creditado o nome do produtor da banda Norman Petty, embora ele não tenha participado do processo criativo. Holly, Allison e o primeiro guitarrista dos Crickets Sonny Curtis - não creditado na composição - tiveram a ideia do título ao assistirem ao filme The Searchers (Rastros de òdio) , onde o lendário John Wayne frequentemente usava a frase That'll Be The Day (algo como "esse será o dia"). Os Crickets gravaram uma primeira versão da música, que tinha uma levada mais Country, numa sessão realizada em Nashville. No ano seguinte, gravaram a versão mais conhecida que saiu no primeiro single dos Crickets (com lado B I'm Looking For Someone to Love) e em seu álbum The Chirpin' Crickets. Curiosidade: uma parte da letra tem um tom premonitório para Buddy ("esse será o dia quando eu morrer"), o vocalista principal.

Em 1958, quando os Quarrymen gravaram um disco demo no estúdio de Percy Phillips, escolheram That'll Be The Day e uma composição de Paul e George, On Spite of All the Danger. Naquela ocasião, além do trio central que faria história nos Beatles nos anos 60 (John, Paul e George), a banda contava com o baterista Colin Hanton (um dos fundadores dos Quarrymen) e o pianista John "Duff" Lowe que atuava na banda ocasionalmente. O tal disco acabou sumindo, depois de temporadas na casa de um ou outro membro da banda, tendo sido reencontrado em 1994 [quase trinta anos depois] e escolhido para fazer parte do álbum Anthology (1995).

Em 1973, Ringo participou de um filme chamado That'll Be The Day, protagonizado por David Essex e que contava a trajetória de um rapaz da classe operária inglesa no final dos anos 50 que tentava a sorte no mundo do Rock (talvez baseado na biografia de John). O curioso é que a música de Buddy Holly não está incluída na trilha sonora desse filme.

Paul comprou os direitos desta canção e de todo o catálogo de Buddy Holly em 1979.

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: backing vocals, harmonias, guitarra
George: guitarra líder
Colin Hanton: bateria
John "Duff" Lowe: piano

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/thatll-be-the-day

album-the-chirping-crickets
Disco de estréia de Buddy Holly & The Crickets