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sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Veia Soul dos Beatles ataca novamente

Aproveitando que amanhã, 2 de abril será aniversário saudoso Marvin Gaye (se ainda estivesse vivo, estaria completando 72 anos), vamos falar sobre mais uma música dos Beatles influenciado pelo estilo que consagrou o cantor que ajudou a celebrizar a gravadora Motown. Veja biografia dele aqui. Num post anterior, havíamos falado de You Can't Do That, que tinha a mesma levada Soul típica da Motown.

When I Get Home foi composta por John tendo em mente essa atmosfera de Soul e Rhythm & Blues, tentando emular algo de Wilson Pickett que ele admirava tanto. Tem uma pitada da influência de Arthur Alexander, especialmente na letra. Também é uma bronca sutil do Beatle pelos três meses que os Beatles ficaram trabalhando o álbum A Hard Day's Night (1964), já que os anteriores foram terminados em poucos dias. Essa foi uma das últimas músicas a serem gravadas para o disco. Alguns destaques: o poderoso baixo de Paul fazendo uma marcação digna dos músicos de estúdio da Motown; os backings e harmonias de Paul e George e a bateria nervosa de Ringo fazendo com o baixo de Paul uma cozinha (backbeat) infernal como sempre. O estúdio 2 da Abbey Road parecia uma filial da Motown ou da Stax.

A letra fala sobre a urgência que um sujeito tem em chegar logo em sua casa e fazer amor sua garota [letra típica de Soul...]. Nessa época, John estava casado com Cynthia Lennon e havia muito fogo em sua relação marital.

Não consegui levantar nenhum versão da música com outros artistas. Quem souber, pode postar nos comentários que eu dou o devido crédito. Alguém quer fazer as honras?

Ficha técnica:

John: vocal principal, harmonias, guitarra rítmica
Paul: harmonias, baixo
George: harmonias, guitarra líder
Ringo: bateria

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/when-i-get-home/
http://www.beatlesebooks.com/when-i-get-home


"Você não sabe o que a aguarda, sra. Lennon.
Estou cheio de amor pra te dar..."


terça-feira, 15 de março de 2011

"Seo" Luar é meu amigo

Para o título do post, fiz um trocadilho entre uma frase da música Banho de Lua ("Se o luar é meu amigo, censurar ninguém se atreve") da nossa eterna Rainha do Rock brasileiro Celly Campello e a canção que vai ser tratada neste post. Sabem qual é? Ganhou um doce quem disse Mr. Moonlight!

A música foi composta em 1962 por Roy Lee Johnson e gravada originalmente por Piano Red, usando o pseudônimo Dr. Feelgood & The Interns. Foi lado B do single Dr. Feelgood e a canção estaria relegada ao limbo dos lados B's de discos lançados não fosse o fato de os Beatles, ainda em sua fase pré-Parlophone, usarem como estratégia tocar tais músicas em seus shows, diferenciando de outras bandas que preferiam os temas principais dos discos.

Piano Red (pseudônimo do pianista William "Willie" Lee Perryman) nasceu em 19 de outubro de 1911 em Hampton, Georgia que tinha uma peculiaridade curiosa: ele era um afro-americano albino. Aprendeu piano muito cedo e tentou a sorte tocando em clubes. Só foi estourar quando tinha quase quarenta anos em 1950 com os singles Rockin' With Red e Red's Boogie que alcançaram o top 5 das paradas de Rhythm & Blues. Em 1961, conheceu o guitarrista Roy Lee Johnson e formou a banda Dr. Feelgood & The Interns. Johnson é o compositor de Mr. Moonlight e o vocalista principal da versão original. Mesmo depois de Willie e Roy seguirem caminhos opostos, o pianista aprticipou de festivais de Blues e Jazz itinerantes pela Inglaterra granjeou o carinho dos músicos ingleses do final da década de 60 como o futuro guitarrista dos Wings Henry McCulloch (que batizou um pub do qual era dono com o nome Dr. Feelgood) e a banda Badfinger que lhe rendeu homenagem com a música Piano Red [note que tanto McCulloch e o Badfinger fazem parte da cronologia dos Beatles em momentos distintos].Willie morreu de câncer em 1985.

No show que os Beatles fizeram no Star Club em Hamburgo em 1962 (que virou o semi-oficial Live at Star Club, 1962), aparece uma versão mais primitiva da música. Depois, entrou para o repertório da banda em shows pela BBC e seria, enfim, colocada no set list das sessões do álbum Beatles For Sale (1964), que foi o penúltimo disco a conter covers.

A música é uma interessante mistura de Rhythm & Blues e levada latina e sua letra fala sobre a amizade de um cara com o "Senhor" Luar, que lhe concedeu o amor de sua vida. Lua é sinônimo de romance, capisce?

A música tem a curiosa introdução numa música gravada pelos Beatles de um tambor africano tocado por George e um solo de órgão Hammond muito bem tocado por Paul, além do grito inicial de John que faz estremecer as bases de quem ouve a canção. No álbum Anthology (1995) há um outtake onde ao invès do Hammond é o solo de guitara de George que entra em evidência.

Além dos Beatles, Mr. Moonlght foi gravada por The Hollies e The Merseybeats. Deve haver alguma outra versão obscura que o leitor pode indicar através dos comentários. Eu dou o devido crédito.

Ficha técnica:

John: vocal principal, violão
Paul: backing vocals, baixo, órgão Hammond
George: guitarra líder, tambor africano
Ringo: percussão, talvez bongôs

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/mr-moonlight/
http://www.beatlesebooks.com/moonlight
Piano Red (primeiro à esq.) ou Dr. Feelgood & The Interns:
os primeiros a tocarem Mr. Moonlght

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hello Little Johnny!

Vamos aqui falar da primeira composição original de John, Hello Little Girl. e que por acordo feito com o parceiro Paul é creditada a Lennon & McCartney. Consta que John deve tê-la escrito em 1957, quando os Quarrymen ainda eram uma banda recém formada. John, décadas mais tarde teria declarado que compôs a canção inspirado por It's De-Lovely de Cole Porter, que sua mãe Julia costumava cantar para ele. Embora o forte de John fosse os covers que a banda tocava (Elvis, Buddy Holly, Lonnie Donegan), onde ele podia fazer de conta que era um de seus herois, ele tinha uma enorme facilidade de compor a  partir de trocadilhos ou frases inventadas. Por exemplo, ele não conhecia direito a letra de Come Go With Me (Del-Vikings) e emendava frases engraçadas como: "come and go with me to the penitentiary (venha comigo para a penitenciária)". Quando Paul entrou para os Quarrymen, incentivou o novo amigo a compor mais coisas próprias. Foi aí que John mostrou-lhe Hello Little Girl.
Quando a banda se reuniu na casa de Paul em maio de 1960 para ensaiar e gravar num daqueles gravadores portáteis antigos, Hello Little Girl foi relembrada e fez parte do set list. A versão primitiva tinha uma levada que lembrava muito o estilo de Buddy Holly em coisas como Heartbeat ou Rave On. a canção entrou em definitivo para o repertório da banda, embora não hajam outros registros dela (a gravação na casa de Paul acabou se tornando o bootleg Quarrymen At Home, 1960).  Em 1962, quando a banda (ainda com Pete Best na bateria) fez o famoso teste para a Decca Records, eles procuraram fazer um set list bem básico e lembraram de Hello Little Girl de novo. Naquela ocasião, deram uma característica mais rocker para a composição que ficou parecendo com o estilo de Gene Vincent, com John usando um vocal mais enérgico do que na versão primitiva. Recusados pela Decca, contratados pela Parlophone, a capacidade prolífica da dupla para compor material para a banda acabou deixando Hello Little Girl em segundo plano. Uma terceira versão da música teria sido tocada num dos primeiros programas que os Beatles fizeram na BBC em 1962, estando atualmente desaparecida. Como a Parlophone nunca utilizou essa e algumas outras do repertório do teste da Decca, ela foi oferecida para a banda Gerry & The Pacemakers como lado B de How Do You Do It (que os próprios Beatles se recusaram a gravar, preferindo Please Please Me, mas isso é assunto para outro post), chegando a gravar uma demo. Mas a banda preferiu gravar I Like It. nos mais tarde, a versão de Gerry & The Pacemakers acabou aparecendo numa coletânea da banda. Então, foi oferecida para a banda The Fourmost que acabou gravando-a. Este é outro exemplo de gave way song. veja a letra.

Ficha técnica (Quarrymen at Home)

John: vocal principal, guitarra
Paul: harmonia vocal, guitarra
George: guitarra
Stu: baixo

Ficha técnica (Decca Tapes)

John: vocal principal, guitarra
Paul: harmonia vocal, baixo
George: harmonia vocal, guitarra líder
Pete Best: bateria

Hello Little Boys!
Crédito:

http://www.beatlesbible.com/songs/hello-little-girl/

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Beijando muito

Quem não gosta de dar e receber beijos? Mas aqui não vamos fazer uma dissertação sobre o ósculo e seus efeitos. O tema da vez é o clássico da música latina Besame Mucho, que os Beatles interpretavam em seus shows pré-Parlophone. Para se diferenciarem das demais bandas de Liverpool, os Beatles interpretavam algumas coisas inusitadas como O Sole Mio (canção napolitana que deu origem ao sucesso de Elvis Presley It's Now Or Never) e Besame Mucho. Quando prepararam o set do teste para a Decca Records, os Beatles puseram esta no repertório para tentar causar uma boa impressão quanto ao seu ecletismo, já que possívelmente eles eram uma das únicas bandas jovens a interpretar uma canção tão antiga e fora dos padrões do Rock and Roll. Embora eles tenham sido rejeitados, a boas e velha Besame Mucho continuou firme e forte no repertório. Tanto que fez parte do primeiro teste feito para a EMI pouco antes de fecharem contrato com a Parlophone. Veio o sucesso, eles puseram seu nome na história e no final da década de 60, tentaram uma volta aos bons tempos. E qual canção eles lembraram e até interpretaram? Sim, Besame Mucho! A escolha de Paul como vocalista da música é bem óbvia. Enquanto John tinha um rompante bem rockeiro (vide sua interpretação para covers de Chuck Berry, por exemplo), Paul já fazia as vezes de romântico da turma a la Roy Orbison. Na versão de 1969, que aparece numa das cenas do filme Let It Be, ele canta emulando um daqueles tenores italianos como Luciano Pavarotti. A intro com "cha-cha-boom" também é digna de nota pois, naquela altura do campeonato, ou seja, início dos anos 60, a música latina - em especial, a rumba, o calypso e o cha-cha-cha - fazia a cabeça dos jovens em ambos os lados do Atlântico.

Besame Mucho foi composta em 1940 por uma mocinha mexicana de mal-completados 16 anos chamada Consuelo Velazquez que teve como inspiração Quejas, o la Maja y el Ruiseñor, ária da suite Goyescas do compositor espanhol Enrique Granados. O mais engraçado era que a infante Consuelo nunca havia beijado e o beijo era considerado lascivo e pecaminoso para a sociedade mexicana (e latina como um todo). O tempo passou e Besame Mucho se tornou uma das mais populares canções latinas do século XX e Consuelo uma grande compositora. A primeira versão da canção foi interpretada por Emilio Tuero mas a versão de Lucho Gatica se tornou a mais célebre. O compositor Sunny Skylar escreveu a da música em inglês mantendo o título em espanhol e a cantora americana Josephine Baker foi a primeira a cantá-la nesse idioma. Vieram outras versões, como a da orquestra de Jimmy Dorsey. Nos anos 50, ela foi interpretada por 2 grupos vocais conhecidos, The Flamingos e The Coasters, de onde os Beatles tiraram sua versão.

Enquanto Yesterday é a mais interpretada canção de todos os tempos, Besame Mucho é a canção latina com o maior número de versões, tendo sido gravado por grandes nomes como Frank Sinatra, Dean Martin, Andrea Bocelli, Diana Krall, Trio Los Panchos, Luis Miguel e por aí vai.

Ficha técnica (Decca Tapes e Teste da EMI):

Paul: baixo, vocais principais
John: guitarra rítmica, harmonias (Decca)
George: guitarra líder, harmonias (Decca)
Pete Best: bateria

Ficha técnica (Live at Star-Club e Get Back Sessions)

Paul: baixo, vocais principais
John: guitarra rítmica, harmonias (Star-Club e Get Back)
George: guitarra líder
Ringo: bateria

Consuelo Velasquez
 
The Coasters