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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Los Beatles y su latinidad: I Will

Com sabemos, os Beatles também adquiriram fascínio pela música latina. tanto que em seus shows ainda como banda obscura, eles tinham em seu repertório Besame Mucho (ainda que a versão do grupo vocal The Coasters). Embora algumas músicas dos álbuns dos Beatles tivessem alguma conotação latina (Ask Me Why, PS I Love You e And I Love Her, principalmente) foi só em 1968 que a veia latina dos Beatles veio à tona numa das sessões do álbum The Beatles (ou White Album). Neste post e no seguinte vamos falar das canções desse set latino.

Para começar, vamos falar de I Will, uma bela composição de Paul que ele fez quando da ida dos Beatles à Índia. Pelo menos a letra Paul compôs durante essa estada dos Fab 4 naquela ex-possessão britânica. Quando começaram a sessão de gravação da música, apesar da ausência de George, começaram a fazer uma brincadeira utilizando elementos latinos. Aí vieram Step Inside Love e Los Paranoyas e um trecho curto de The Way You Look Tonight, uma canção de 1936 de  Dorothy Fields e Jerome Kerns, um dos belos standards daquela década, cuja versão original foi cantada por Fred Astaire no filme Swing Time (lançado em português com o nome Ritmo Louco). Graças, principalmente a essa última, a composição de Paul tomou seu formato final.

A letra fala sobre a promessa de amor eterno e é um dos mais belos momentos do White Album, mostrando a característica marcante de Paul como romântico incorrigível. Foi uma de suas primeiras composições  tendo por musa sua namorada Linda, a futura sra. McCartney.

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, harmonias, violão
John: percussão
Ringo: címbalo, bongôs, maracas

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/i-will/


O romântico Paul e sua
eterna musa Linda


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Beijando muito

Quem não gosta de dar e receber beijos? Mas aqui não vamos fazer uma dissertação sobre o ósculo e seus efeitos. O tema da vez é o clássico da música latina Besame Mucho, que os Beatles interpretavam em seus shows pré-Parlophone. Para se diferenciarem das demais bandas de Liverpool, os Beatles interpretavam algumas coisas inusitadas como O Sole Mio (canção napolitana que deu origem ao sucesso de Elvis Presley It's Now Or Never) e Besame Mucho. Quando prepararam o set do teste para a Decca Records, os Beatles puseram esta no repertório para tentar causar uma boa impressão quanto ao seu ecletismo, já que possívelmente eles eram uma das únicas bandas jovens a interpretar uma canção tão antiga e fora dos padrões do Rock and Roll. Embora eles tenham sido rejeitados, a boas e velha Besame Mucho continuou firme e forte no repertório. Tanto que fez parte do primeiro teste feito para a EMI pouco antes de fecharem contrato com a Parlophone. Veio o sucesso, eles puseram seu nome na história e no final da década de 60, tentaram uma volta aos bons tempos. E qual canção eles lembraram e até interpretaram? Sim, Besame Mucho! A escolha de Paul como vocalista da música é bem óbvia. Enquanto John tinha um rompante bem rockeiro (vide sua interpretação para covers de Chuck Berry, por exemplo), Paul já fazia as vezes de romântico da turma a la Roy Orbison. Na versão de 1969, que aparece numa das cenas do filme Let It Be, ele canta emulando um daqueles tenores italianos como Luciano Pavarotti. A intro com "cha-cha-boom" também é digna de nota pois, naquela altura do campeonato, ou seja, início dos anos 60, a música latina - em especial, a rumba, o calypso e o cha-cha-cha - fazia a cabeça dos jovens em ambos os lados do Atlântico.

Besame Mucho foi composta em 1940 por uma mocinha mexicana de mal-completados 16 anos chamada Consuelo Velazquez que teve como inspiração Quejas, o la Maja y el Ruiseñor, ária da suite Goyescas do compositor espanhol Enrique Granados. O mais engraçado era que a infante Consuelo nunca havia beijado e o beijo era considerado lascivo e pecaminoso para a sociedade mexicana (e latina como um todo). O tempo passou e Besame Mucho se tornou uma das mais populares canções latinas do século XX e Consuelo uma grande compositora. A primeira versão da canção foi interpretada por Emilio Tuero mas a versão de Lucho Gatica se tornou a mais célebre. O compositor Sunny Skylar escreveu a da música em inglês mantendo o título em espanhol e a cantora americana Josephine Baker foi a primeira a cantá-la nesse idioma. Vieram outras versões, como a da orquestra de Jimmy Dorsey. Nos anos 50, ela foi interpretada por 2 grupos vocais conhecidos, The Flamingos e The Coasters, de onde os Beatles tiraram sua versão.

Enquanto Yesterday é a mais interpretada canção de todos os tempos, Besame Mucho é a canção latina com o maior número de versões, tendo sido gravado por grandes nomes como Frank Sinatra, Dean Martin, Andrea Bocelli, Diana Krall, Trio Los Panchos, Luis Miguel e por aí vai.

Ficha técnica (Decca Tapes e Teste da EMI):

Paul: baixo, vocais principais
John: guitarra rítmica, harmonias (Decca)
George: guitarra líder, harmonias (Decca)
Pete Best: bateria

Ficha técnica (Live at Star-Club e Get Back Sessions)

Paul: baixo, vocais principais
John: guitarra rítmica, harmonias (Star-Club e Get Back)
George: guitarra líder
Ringo: bateria

Consuelo Velasquez
 
The Coasters