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quarta-feira, 30 de março de 2011

Papo de garotas

Este é o quarto post em que falo do fascínio dos Beatles pelos Girls Groups e sua música. Já falamos aqui de Chains (The Cookies), Please Mr. Postman (The Marvellettes) e Baby It's You (The Shirelles). Aproveitando que escrevi um post sobre este último grupo no meu blog Biografias Musicais, vou falar de outra canção delas interpretada pelos Beatles.

Boys foi composta em 1960 por Luther Dixon e Wes Farrell e gravada originalmente pelas Shirelles, sendo lançada como lado B do single Will You Love Me Tomorrow, um dos maiores êxitos do grupo. Luther Dixon (1931-2009) era o produtor e responsável pela sonoridade característica do grupo e já tinha escrito o clássico Sixteen Candles do grupo de Doo Wop, The Crests. Já Wes Farrell (1939-1996) fez um grande sucesso, compondo e produzindo para nomes como Dion, Freddie Cannon, Chubby Checker e Timi Yuro.

Como já foi dito em posts anteriores, os Beatles usavam a estratégia de usar os lados B dos singles que ouviam para compor seu repertório dos shows, o que ocorreu com Boys. Ela era cantada por Pete Best, sendo seu stage act na banda. Quando Ringo chegou, mantiveram a música sob seus auspícios. Foi assim que eles incluíram Boys no seu álbum de estréia, Please Please Me (1963), junto com outro cover das Shirelles Baby It's You. A partir do sucesso da banda, a música ficou sendo o número especial de Ringo nas apresentações ao vivo, até ser substituída em 1965 por Act Naturally. A música aparece também em programas da BBC.

A letra fala de um dos interesses das garotas (garotos) e o sentido não foi mudado (de Boys para Girls) quando interpretado pelos Beatles.

O grande lance da música é o fato de Ringo cantar e tocar bateria com muit destreza, mostrando porque Mr. Starkey é um dos melhores bateras da história. Alguém duvida? O baixo preciso de Paul em cima da linha de bateria de Ringo e os backings vocals (e os shoutings)que ele faz  com John também são dignos de atenção. Não é a toa que Paul e Ringo são uma das melhores cozinhas (backbeat) do Rock.

Ficha técnica:

Ringo: vocal principal, bateria
John: guitarra rítmica, backing vocals
Paul: baixo, backing vocals
George: guitarra líder

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/boys/
http://www.beatlesebooks.com/boys

The Shirelles, um dos melhores girls groups dos anos 60

sábado, 26 de março de 2011

Moleque danado!

Como todo mundo que já foi criança, os Beatles devem ter aprontado muito e deixado seus pais de cabelo em pé. Não que eles tivessem sido moleques endiabrados nos moldes do personagem da música de Renato e Seus Blue Caps O Escândalo (versão de Shame and Scandal in The Family). Mas não é isso que vem ao caso neste post. Vamos falar de uma das canções do cantor e Bluesman americano Larry Williams.

Bad Boy foi composta e gravada por Larry Williams (1935-1980) entre 1957 e 1958, tendo sido lançada num single em 1959, tendo como lado B She Said Yeah (que se tornou um clássico com os Rolling Stones). John era um grande admirador do jeito agressivo de cantar de Larry Williams e isso fica claro em covers interpretados por ele com os Beatles (Bad Boy, Slow Down e Dizzy Miss Lizzy) e carreira solo (Bonnie Moronie).

Os Beatles gravaram sua versão em junho de 1965 para ser lançada no ábum da discografia americana Beatles VI (uma mistureba de Beatles For Sale e Help! da discografia britânica). Os ingleses só vieram conhecer a versão dos Beatles em 1967 quando ela foi lançada na coleânea Collection of Oldies...But Goldies. Ela fez parte, ainda da coletânea Past Masters vol. I (lançada em 1988).

Além do vocal rasgado de John, um destaque é a guitarra solo de George duelando com a voz de John. A letra fala de um garoto-problema que apronta todas (como na música citada no início do post) com o diferencial que só quando faz Rock and Roll é que ele se sente bem.

Há poucos covers conhecidos da música, do qual citamos neste post a versão da banda canadense Rush feito em 1974. Outro cover que podemos citar foi o interpretado pela banda Backbeat no filme homônimo de 1994 (chamado no Brasil Os Cinco Rapazes de Liverpool). Há uma música cantada por Ringo na carreira solo chamada Bad Boy, do álbum homônimo (1978), original de 1957, que nada tem a ver com a composição de Larry Williams. Se algum leitor conhecer outra versão, pode falar sobre ela nos comentários. Darei o devido crédito.

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: baixo, piano elétrico
George: guitarra líder
Ringo: bateria, pandeiro

Fonte:
Wikipedia (em inglês)

Larry Williams: apreciado pelos Beatles e pelos Rolling Stones

quinta-feira, 3 de março de 2011

E o Oscar vai para...Ringo!

Todo mundo sabe que o Ringo, dentre os Beatles é o que tem um currículo cinematográfico mais extenso, contando os filmes que ele fez enquanto era um dos Fab 4. Os Beatles ganharam um Oscar por Let It Be e Ringo nunca teve uma indicação como ator. Mas não é isso que vem ao caso neste post. Vamos falar sobre Act Naturally, canção que Ringo canta no álbum Help! que cita o famoso prémio do Cinema norte-americano.

A canção foi composta por Johnny Russell e Voni Morrison e interpretada originalmente por Buck Owens em 1963 e alcançou o posto mais alto da parada Country americana daquele ano. A composição tem uma historia interessante. Johnny Russell (1940-2001) era um cantor e compositor americano que nos idos de 1960 foi chamado por seu amigos para participar de uma sessão de gravação, indo de Oklahoma até Los Angeles. Como tinha um compromisso com a namorada, teve que "dar-lhe o cano".  Questionado por sua amada do porque da viagem inesperada, Russell respondeu, brincando, que os amigos iam fazer um filme e torná-lo um astro de cinema. Aquela conversa com a namorada ficou repercutindo na cabeça do jovem cantor e quando chegou a Los Angeles já estava com a música pronta. Tentou ensiná-la a um cantor que acompanhava a gravação mas infelizmente não conseguiu seu intento. Pensou em gravá-la ele mesmo mas o produtor do estúdio demoveu-o da ideia dizendo que músicas sobre filmes não poderiam ser hits. Levou uns dois anos para que encontrasse alguém disposto a gravar sua canção. Isso aconteceu em 1963, graças a um encontro que teve com Voni Morrison, que trabalhava com o cantor Country Buck Owens. Ela gostou do que ouviu e disse que, por ser uma canção ainda inédita, Owens poderia se interessar em gravá-la. Russell prometeu a Morrison que, se isso acontecesse ele dividira com ela os créditos pela composição. Owens acabou gravando Act Naturally, apesar de não ter gostado dela a princípio e obteve um grande sucesso.

Em 1965, quando os Beatles estavam no estúdio para gravar as sessões do álbum Help!, John e Paul tinham escrito If You've Got Trouble para o baterista, mas não conseguiram chegar a um resultado satisfatório. Ringo sugeriu a eles colocar no set list Act Naturally, que ele já tinha aprendido e a dupla assinou embaixo. Não deu outra: a versão cantada por Ringo figurou no Help! e como lado B do single americano de Yesterday. Além disso, era a canção que o baterista cantava nos shows da banda (junto com I Wanna Be Your Man). Veja a letra.

Em 1989, Ringo e Buck Owens regravaram juntos a canção e foi feito um clipe muito engraçado retratando a dupla como dois cowboys de filmes.

Ficha técnica:

Ringo: vocal principal, bateria e baquetas
John: violão
Paul: backing vocal, baixo
George: guitarra líder

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/act-naturally/

Ringo: as baquetas mais rápidas do Oeste

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Los Beatles y su latinidad: I Will

Com sabemos, os Beatles também adquiriram fascínio pela música latina. tanto que em seus shows ainda como banda obscura, eles tinham em seu repertório Besame Mucho (ainda que a versão do grupo vocal The Coasters). Embora algumas músicas dos álbuns dos Beatles tivessem alguma conotação latina (Ask Me Why, PS I Love You e And I Love Her, principalmente) foi só em 1968 que a veia latina dos Beatles veio à tona numa das sessões do álbum The Beatles (ou White Album). Neste post e no seguinte vamos falar das canções desse set latino.

Para começar, vamos falar de I Will, uma bela composição de Paul que ele fez quando da ida dos Beatles à Índia. Pelo menos a letra Paul compôs durante essa estada dos Fab 4 naquela ex-possessão britânica. Quando começaram a sessão de gravação da música, apesar da ausência de George, começaram a fazer uma brincadeira utilizando elementos latinos. Aí vieram Step Inside Love e Los Paranoyas e um trecho curto de The Way You Look Tonight, uma canção de 1936 de  Dorothy Fields e Jerome Kerns, um dos belos standards daquela década, cuja versão original foi cantada por Fred Astaire no filme Swing Time (lançado em português com o nome Ritmo Louco). Graças, principalmente a essa última, a composição de Paul tomou seu formato final.

A letra fala sobre a promessa de amor eterno e é um dos mais belos momentos do White Album, mostrando a característica marcante de Paul como romântico incorrigível. Foi uma de suas primeiras composições  tendo por musa sua namorada Linda, a futura sra. McCartney.

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, harmonias, violão
John: percussão
Ringo: címbalo, bongôs, maracas

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/i-will/


O romântico Paul e sua
eterna musa Linda


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Problemas? Chama o Ringo!

Vamos falar de If You've Got Trouble, uma composição de Lennon & McCartney que eles deram para Ringo cantar (a exemplo de I Wanna Be Your Man e a co-parceria de What Goes On, só para ficarmos em algumas). A canção deveria ter feito parte do álbum Help! (1965) mas por eles não terem chegado num produto final satisfatório, pensaram em outra canção para o lugar desta, a toque de caixa. Foi por isso que escolheram Act Naturally de Buck Owens e o Help! saiu do jeito que conhecemos. Mas If You've Got Trouble não ficaria muito tempo relegada ao esquecimento. Ela acabou saindo em diversos bootlegs da banda até ser lançada de forma oficial no álbum Anthology 2 (1996). Antes disso, ela tinha sido gravada pela banda australiana The Beatniks para um disco recheado de gave away songs. Lembraram desta para compor um repertório que contemplasse seu "Ringo". A versão dos Beatniks chega bem próximo do orginal. Ao ouvir, você acha que é o próprio Ringo cantando, tamanha a semelhança do vocal genérico com a voz de Mr. Starkey.
A letra fala do sujeito que pede para os amigos não irem chorar as pitangas para ele [cada um com seus problemas...].
Seria interessante se ela tivesse feito parte da trilha sonora do filme Help!, dados so problemas pelos quais o Ringão passa na película.
A banda inglesa The Fortunes gravou no mesmo ano uma canção com o título parecido: You've Got Your Troubles.

Ficha Técnica:

Ringo: vocal principal, bateria
John: backing vocals, guitarra rítmica
Paul: backing vocals, baixo
George: guitarra líder

Help! film
Ringo: "Se você tiver problemas, não conte comigo
para ajudar a resolvê-los. Já basta os que tenho"
Crédito da foto: http://www.dmbeatles.com/picture.php?picture=349
Créditos:
http://www.beatlesbible.com/songs/if-youve-got-trouble/

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Free As A Beatle

Trocadilho bem infame o título deste post, não é mesmo? Tenho que melhorar o meu repertório...
Nessa altura, você que está do outro lado lendo este post já sabe que o assunto é a bela composição de John Free As A Bird, que ele havia escrito em 1977 para um possível musical sobre sua vida e sua obra. Era o segundo ano de reclusão do ex-Beatle que tinha se auto-imposto o exílio do mundo aqui fora. Ele havia se tornado um "dono de casa", fazendo comida, cuidando do baby Sean e esperando a mulher Yoko Ono, que havia assumido a condição de "homem da casa" para contar-lhe sobre seu dia. Nesse período, John gravou bastante coisa com um gravador caseiro. Enquanto isso, no mundo exterior, os seus ex-colegas tocavam a vida, cada um à sua maneira. Paul foi o único que manteve contato com John nesse período. Uma possível volta dos Beatles ainda pairava sobre a cabeça de toda a humanidade, apesar das veementes negativas de seus integrantes quanto a ofertas cada vez mais absurdas para uma reunião da banda. John não estava nem aí e só queria viver para sua família. O tempo passou, o nosso querido John quis fazer um retorno triunfal mas acabou sendo assassinado. No ano seguinte à morte de John, os três ex-Beatles remanescentes começaram a se reunir para tentar desenvolver um documentário deifinitivo sobre a banda. No início, o projeto foi chamado The Long and Winding Road - The Beatles History. Passaram-se duas décadas. Em 1994, Yoko e Paul acertaram suas rusgas e conflitos e a viúva de John deu a ele uma fita cassete com três canções a serem finalizadas. Paul reuniu George e Ringo e mostrou as canções. Então, como nos velhos tempos, eles se reuniram para concluir as composições do amigo. Isso acabou sendo o gancho para a realização do documentário definitivo sobre os Beatles que foi chamado Anthology, que consistiu num tour de force com o velho produtor dos Beatles, George Martin e o amigo e novo parceiro Jeff Lynne (ex-ELO e Travelling Wilburys).
Em 1995, entraram em estúdio e finalizaram Free As  A Bird, cujo original só tinha a voz de John ao piano. Foram adicionados outros instrumentos, linha rítmica, vocais e overdubs mil. Paul e George criaram harmonias vocais e bolaram uma letra para o middle eight onde cada um canta uma parte; Ringo inseriu sua inconfundível levada na bateria e no final, foi colocada uma referência a um clássico da banda Come Together. O produto final deste trabalho se tornou uma legítima Beatles Song.
Free As A Bird tem uma letra singela que fala sobre liberdade e paz. Foi feito um clipe ao melhor estilo de identificar qual música dos Beatles é mostrado em cada cena.

Ficha técnica:

John: vocal principal, piano
Paul: vocal principal, harmonias, baixo, violão, teclados, piano
George: vocal principal, guitarra líder, violão, guitarra slide, harmonias
Ringo: harmonias, bateria
Jeff Lynne: harmonias, guitarra

Juntos como nos bons tempos, livres como pássaros
Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/free-as-a-bird/

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Não deixe o Ringo de lado

Já que no post anterior nós falamos do début de George como compositor nos Beatles, vamos falar da primeira composição de Ringo a figurar num álbum dos Fab 4, Don't Pass me By do White Album (1968). Aí vocês, leitores do blog me perguntam "e quanto a What Goes On?". Sim, essa foi a primeira vez que o Ringo, com uma ajudinha dos amigos John e Paul compôs uma canção mas Don't Pass me By foi a primeira que o nosso querido baterista compôs sozinho. Ringo nunca foi muito de querer seu lugar ao sol enquanto compositor dos Beatles, diferente de George que, ao defender suas composições, acabou evoluindo e muito (seja nos Beatles ou carreira solo). Quando os Beatles começaram sua trajetória na Parlophone, ficou acertado que Ringo teria uma canção para interpretar por disco (nenhuma dele, claro). Muita gente acredita que a canção fora composta em 1968, mas na verdade muito antes disso. Ela foi mencionada pela primeira vez em 14 de julho de 1964 durante o programa Top Gear, um dos muitos que os Beatles faziam na BBC. Na introdução de And I Love Her, perguntaram a Ringo se ele tinha planos de compor alguma coisa para a banda e respondeu que até aquele momento não tinha escrito nada. Paul brincou com ele cantarolando algo como "Dont pass me by, don't make me cry, don't make me blue [não me deixe de lado, não me faça chorar, não me faça ficar triste]. Ringo disse, tempos depois, que pensou nas frases de Paul em casa. Martelando o piano, começou a compor a canção que ficou ignorada até 1968, quando os Beatles começaram a trabalhar no White Album. Naquele instante, John e Paul não estavam tão preocupados em encher o disco com suas composições. Aceitaram tudo o que estivesse disponível para tal. Foi aí que Ringo emplacou Don't Pass me By, que estranhamente foi intitulada como Ringo's Tune e This is Some Friendly.  George Martin, o produtor dos Beatles até compôs uma introdução orquestrada para a canção durante as sessões de Good Night (canção de Lennon & McCartney que Ringo canta no White Album). Acabou não sendo utilizada no produto final, sendo aproveitada em 1996 no álbum Anthology 3 com o nome A Beginning. A bela composição de Ringo, que vai num estilo bem country, chega a ser irônica. A letra fala do sujeito que não quer perder seu amor e ser deixado de lado. Até parece uma súplica aos colegas de banda. A canção também fez parte da famosa conspiração "Paul Is Dead", criada por uns fãs que John Lennon chamava Beatles-Intérpretes. Num trecho, a composição teria citado a forma como Paul havia "morrido": "You were in a car crash/And you lost your hair (você esteve num acidente de carro e perdeu seu cabelo).
Na sessão de gravação, John e George não participam [não se sabe se estiveram presentes] e a banda contou com um músico de estúdio, Jim Fallon (violino).
Não houve versões de Don't Pass me By até 1988 quando a banda americana The Georgia Sattellites fez a sua. A banda-paródia dos Beatles, The Rutles gravou uma canção bem parecida com a composição de Ringo chamada Living in Hope. Existem versões mais recentes interpretadas por The Gourds e The Punkles.

Ficha técnica (segundo o livro The Beatles Record Sessions de Mark Lewinsohn:


Ringo: vocal principal, bateria, sleigh bell, piano
Paul: baixo, piano
Jim Fallon: violino


All Ringo need is Love (and good songs, too)



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A primeira vez

Os safadinhos e safadinhas de plantão que contenham suas mentes contaminadas. Não vamos falar aqui quando os Beatles tiveram sua primeira relação sexual. Isso é um blog de respeito (pero no mucho)!

Vamos falar da primeira vez em que John, Paul, George e Ringo tocaram juntos pela primeira vez. Todo mundo sabe de cor e salteado que o Ringo entrou no lugar de Pete Best em 1962, o que gerou a revolta dos fãs [do Pete, claro] e blá-blá-blá.

Tudo começou, a bem da verdade, em 1960 quando os Beatles se encontraram pela primeira vez com Rory Storm & The Hurricanes, banda da qual Ringo fazia parte. O próprio batera já era "figurinha carimbada" entre as muitas bandas de Liverpool naquela época. Os Beatles tocavam no Indra Club de Bruno Korschmider, em sua primeira incursão em Hamburgo. Quando as autoridades locais fecharam o bar por conta das homéricas brigas qua havia ali, os Beatles iriam tocar no Kaiserkeller, que também pertencia ao empresário. Ao encontrarem Rory e suas roupas coloridas que bem poderiam ter sido escola para David Bowie e quetais, a banda conheceu o baterista barbudo com mecha grisalha [apesar de seus quase 20 aninhos] e muitos anéis nos dedos. De início, acharam Ritchie uma figuraça muito da engraçada, mas ficaram impressionados com seu estilo de tocar. Começaram a andar e beber juntos e começou a haver amizade entre eles. Em outubro de 1960, o empresário Allan Williams, que agenciava os contratos das bandas que tocavam em Hamburgo deu ideia ao baixista Lu Walters, conhecido como Wally, que tocava com Rory Storm, de gravar um acetato numa cabine de gravação instantânea, muito comum na Alemanha naquela época. Williams achava que Walters era um bom cantor e o disco seria uma experiência interessante. Para não bater de frente com o líder dos Hurricanes, Williams sugeriu ainda que Lou chamasse os Beatles como banda de apoio. Isso foi feito e John, Paul e George toparam o negócio. Pete tinha tomado um "chá de sumiço" e Stu estava às voltas com sua namorada Astrid Kirshherr. A saída foi chamar Ringo para tocar com os três Beatles. Claro que Mr. Starkey também fechou com a turma.

No dia 15 de outubro de 1960, nossos herois foram ao Akustik Studio onde graram um acetato com as canções Fever, um grande sucesso da cantora americana Peggy Lee que teve grande êxito cantada por Elvis; Summertime (composição de George Gershwin do musical Porgy & Bess) e a obscura September Song de outro musical e que já havia sido interpretada por nomes como Nat King Cole e Billy Eckstine. Walters bancou a demo tape do próprio bolso e alguns dias foi retirar o disco. O dono do estúdio entregou-lhe por engano um comercial de bolsas de couro(!!). Não se sabe ao certo se Lu Walters conseguiu desfazer o erro e o tal acetato foi perdido. Tudo o que se sabe desse episódio é através de depoimentos de Allan Williams, Paul, George, Ringo e Johnny "Guitar" Byrnes, colega de Walters. Infelizmente, até hoje (passados 50 anos do episódio) essa raridade nunca mais foi encontrada.

Set list:

1. Summertime (George Gershwin-Du Bose Heyward)
2. Fever (Eddie Cooley-John Davenport)
3. September Song (Kurt Weill-Maxwell Anderson)


Ficha técnica (provável)

Lu Walters: baixo, vocais principais
John Lennon: guitarra
Paul McCartney: guitarra
George Harrison: guitarra
Ringo Starr: bateria


Imagem do acetato gravado Foto: http://www.beatlesource.com/bs/mains/other-early.html

Fontes:

http://www.beatlesource.com/
http://www.beatles-discography.com/