Mostrando postagens com marcador george martin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador george martin. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Apertando o gatilho do Revolver

Há 45 anos atrás, no dia 06 de abril de 1966, os Beatles entravam no estúdio da Abbey Road para iniciar as sessões de gravações de um de seus melhores álbuns, Revolver. Para comemorar a data, vamos falar da primeira música gravada naquela ocasião.

Tomorrow Never Knows foi composta por John em 1966 baseada no livro A Experiência Psicodélica dos psicólogos Timothy Leary e Richard Alpert que continha uma adaptação do antigo Livro Tibetano dos Mortos. Leary acabou se tornando anos depois famoso como "Mago do LSD" e grande amigo de John. Quando começaram a gravar a música, ela ainda não tinha um nome, sendo chamada apenas de Mark I. Foi graças a um comentário que Ringo (sempre ele!) teria feito numa entrevista daqueles loucos dias iniciais da Beatlemania dizendo algo sobre "amanhã nunca se sabe". Reza a lenda que John a teria concebido a partir dos efeitos de LSD, o que causou muita polêmica na época.

Na hora de gravar, George Martin perguntou a John o que ele queria na música. John teria dito que imaginava um coro de macacos cantando como fundo ao instrumental e à voz principal. O produtor fez o que pôde a partir da concepção de John, tentando deixá-la o mais próximo possível do que era imaginado. Além da voz quase onírica de John duplicada, o destaque da música é a cozinha (baixo e a bateria) num rítmo hipnótico no tom G (sol). Paul faz um solo invertido de guitarra e todos usam tape loops (fitas pré-gravadas com cinco efeitos sonoros diferentes: ruído de gaivota musurado com a risada de Paul distorcida, um acorde em B tocado por uma orquestra, um mellotron com efeito de flauta, outro mellotron emulando um violino e uma cítara distorcida). É som para Stochausen nenhum botar defeito, poderia ser dito. Ao final, George Martin toca piano.

A letra fala sobre a experiência psicodélica propriamente dita através de expressões como "desligue a mente", "deite os pensamentos" e "ouça a cor dos seus sonhos". Foram precisos umas três sessões para que a música chegasse no ponto como a conhecemos (houveram sessões de gravação dela nos dias 6, 7 e 12 de abril).

Foram lançadas versões alternativas da música no álbum Anthology 2 (1996) e no álbum Love (2006), misturada com Within You Without You do álbum Sgt. Pepper's com produção de George Martin e seu filho Giles Martin.

há alghumas versões (covers) da música que foram gravadas, principalmente pelo Grateful Dead (junto com o clássico de The Who Baba O' Riley), Jimi Hendrix num bootleg raro e a versão do grupo oriental Monsoon. A música aparece no filme Sucker Punch, lançado recentemente. Se o leitor conhecer outra versão que não enumerei aqui basta informar nos comentários. Darei o devido crédito.

Ficha técnica:

John: vocal principal dobrado, órgão, tape loop
Paul: baixo, solo de guitarra invertido, tape loop
George: guitarra líder, tamboura, cítara, tape loop
Ringo: bateria, pandeiro, tape loop
George Martin: piano

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/tomorrow-never-knows/


Bem vindos à psicodelia visual!


segunda-feira, 21 de março de 2011

Burt Bacharach e os Beatles

Burt Bacharach é um dos maiores compositores de nosso tempo. O que pouca gente sabe é que os Beatles gravaram uma canção composta por ele. Não a gravaram apenas por causa do compositor mas por causa do fascínio que a banda tinha por girls groups [veja aqui e aqui], no caso deste post, The Shirelles. Vou escrever sobre o compositor e o grupo nos próximos posts do blog Biografias Musicais.

Baby it's You foi composta em 1961 por Bacharach (música), os veteranos compositores Mack David e Luther Dixon, que usou o pseudônimo de Barney Williams (letra) para o grupo feminino The Shirelles, um grupo que havia sido formado em 1958. Nessa época, Bacharach e seu parceiro recorrente Hal David trabalhavam para o lendário Brill Building, que tinha os melhores compositores americanos num único lugar. Mack David (1912-1993) era o irmão mais velho do parceiro de Burt e havia trabalhado como compositor da trilha sonora de clássicos da Disney como Branca de Neve e Cinderella, além de a versão em inglês da canção francesa La Vie En Rose de Edith Piaf. Luther Dixon (1931-2009) começou a carreira como cantor de grupos de Doo Wop e no final da década de 50 passou a se dedicar à composição e como produtor ajudou a criar o som que caracterizou The Shirelles. Inclusive, compôs outro clássico do grupo Boys com Wes Farrell, mas isso fica para outro post. Como single, Baby It's You chegou ao oitavo posto das paradas de R & B mas o álbum homônimo  foi aos primeiros lugares. A letra fala de um grande amor que prevalece contra qualquer sinal de despeito dos outros.

Quando os Beatles ouviram a música, imediatamente a colocaram em seu repertório regular. Tanto que ela foi colocada no set list das músicas que a banda iria gravar para seu primeiro álbum pela Parlophone, Please Please Me (1963). O ponto alto da versão dos Beatles é o vocal passional, quase gritado de John que impõe sobre ela uma bela carga dramática. Há também destaque para o solo de celesta tocado por George Martin junto com o solo de guitarra de George. Além do disco, a canção era peça recorrente nos programas que a banda fazia na BBC. Uma versão está no álbum Live at BBC (1994).

Além dos Beatles, a canção foi gravada por um grupo chamado Smith (nada a ver com a aquela banda surgida nos anos 80, The Smiths), The Carpenters, além de outros artistas dos anos 60 como Bruce Channel, Cilla Black e Dave Berry. Existem muitas outras versões que serão informadas em posts futuros.

Há um filme de 1983, com o mesmo nome e que tem a música como tema. Foi dirigido por John Sayles, tendo Rosana Arquette e Vincent Spano como protagonistas.

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: baixo, backing vocals, harmonias
George: guitarra líder, backing vocals, harmonias
Ringo: bateria
George Martin: celesta

Fonte:
Wikipedia (em inglês)


Burt Bacharach, grande compsositor

sexta-feira, 4 de março de 2011

Baseado no Soul

Num post anterior, havíamos falado da influência que o Soul tinha sobre os Beatles. O primeiro indício desse fascínio veio quando eles gravaram You Can't Do That e When I Get Home, duas canções que figuraram no álbum A Hard Day's Night (1964) com uma levada que remetia ao som da Motown e segundo John, uma homenagem a Wilson Pickett, grande soulman.

Quando os Beatles estavam compondo material para o álbum Revolver (1966), Paul teve a ideia de uma música que soasse ao estilo de metais de Soul de gravadoras como a Motown e a Stax, das quais os Beatles eram aficcionados. Para escrever a letra, Paul saiu do lugar comum. Ao invés de uma letra tendo como referência a amada e o sentimento de amor (uma de suas marcas registradas) fez uma homenagem à maconha, como ele mesmo confessou anos depois [um leitor mais atento vai endender o título do post]. Não se sabe ao certo quando os Beatles começaram a fumar maconha e nem quero entrar no mérito da questão. O fato é que Got to Get You into My Life é uma ode à marijuana. Veja a letra.

Segundo Mark Lewinsohn, que escreveu um livro sobre as sessões de gravações dos Beatles, foi a segunda música a ser gravada para o Revolver, seguida de Tomorrow Never Knows. O engraçado é que as duas músicas gravadas primeiro foram colocadas por último na sequencia do álbum. Nos primeiros takes, a banda teve a ideia de colocar algumas vocalizações em torno do vocal principal. Mas conforme a sessão ia transcorrendo, a proposta foi abandonada e ficou do jeio como nós conhecemos: um naipe de metais fazendo a introdução e apenas o vocal de Paul na música toda. Quase no final, George faz um riff que remete a Paperback Writer. A versão inicial com os backings foi lançada no álbum Anthology 2 (1995).

Quando a música inda estava em fase de "gestação", no início de 1966, Paul mostrou-a a Cliff Benett, cuja banda The Rebel Rousers, tocou com os Beatles durante a derradeira turnê dos Fab 4. Como a música seria lançada no álbum e não em single, Bennett propôs a Paul usá-la num disco de sua banda com a produção do Beatle. Não deu outra: a versão de Cliff Bennett & The Rebel Rousers alcançou o sexto lugar nas paradas britânicas.

Em 1976, a versão do Revolver foi lançada como single da coletânea Rock and Roll Music, tendo como lado B Helter Skelter.

Em 1978, a música foi regravada pelo grupo de Soul Earth Wind & Fire num single e numa coletânea. Foi um estrondoso sucesso do EW &F. Figurou, ainda, no filme Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band lançado naquele ano.

Há outras versões conhecidas que foram interpretadas por Blood Sweat & Tears, Tina Charles, Thelma Houston, Diana Ross e Four Tops [estes dois últimos, por coincidência, artistas da Motown], entre outros.

É parte recorrente do repertório dos shows que Paul tem feito em sua carreira pós-Beatles.

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, baixo
John: guitarra rítmica
George: guitarra líder
Ringo: bateria, pandeiro
George Martin: órgão
Naipe de metais (brass ensemble)
Eddie Thornton, Ian Hamer, Les Condon: trumpetes
Alan Branscombe, Peter Coe: sax tenor

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/got-to-get-you-into-my-life/


Paul em 1966: Muito Soul

quarta-feira, 2 de março de 2011

É pra você, Cilla

Neste post, vamos falar de It's For You, uma bela composição que John e Paul escreveram para a amiga dos Beatles, a cantora Cilla Black, cujo nome de batismo é Priscilla Maria Veronica White. Hora dessas eu escrevo a história dela no meu blog Biografias Musicais.

Cilla já tinha gravado antes outra gave away song de Lennon & McCartney, Love of The Loved (1963). Paul fez uma fita demo da canção e mostrou-a a George Martin, que já tinha trabalhado em outros singles da cantora. Tanto Paul quanto John estavam nas sessões de gravação ajudando Martin com sugestões. Consta que Paul teria tocado piano, mas não há comprovação.

A canção tem uma bela construção melódica bem ao estilo de Burt bacharach, de quem Cilla já tinha gravado um single anterior e a letra fala de uma pessoa que acredita muito no sentimento que vem do coração.

Além de Cilla, há outras versões da canção sendo que a mais conhecida era a interpretada à capella pelo grupo americano Three Dog Night em seu disco de estréia.

Há também as versões da banda holandesa Bas Muis, da australiana The Beatniks e a argentina The Beats, todas Beatles-Tribute.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
John e Paul ofereceram belas canções a Cilla Black

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Free As A Beatle

Trocadilho bem infame o título deste post, não é mesmo? Tenho que melhorar o meu repertório...
Nessa altura, você que está do outro lado lendo este post já sabe que o assunto é a bela composição de John Free As A Bird, que ele havia escrito em 1977 para um possível musical sobre sua vida e sua obra. Era o segundo ano de reclusão do ex-Beatle que tinha se auto-imposto o exílio do mundo aqui fora. Ele havia se tornado um "dono de casa", fazendo comida, cuidando do baby Sean e esperando a mulher Yoko Ono, que havia assumido a condição de "homem da casa" para contar-lhe sobre seu dia. Nesse período, John gravou bastante coisa com um gravador caseiro. Enquanto isso, no mundo exterior, os seus ex-colegas tocavam a vida, cada um à sua maneira. Paul foi o único que manteve contato com John nesse período. Uma possível volta dos Beatles ainda pairava sobre a cabeça de toda a humanidade, apesar das veementes negativas de seus integrantes quanto a ofertas cada vez mais absurdas para uma reunião da banda. John não estava nem aí e só queria viver para sua família. O tempo passou, o nosso querido John quis fazer um retorno triunfal mas acabou sendo assassinado. No ano seguinte à morte de John, os três ex-Beatles remanescentes começaram a se reunir para tentar desenvolver um documentário deifinitivo sobre a banda. No início, o projeto foi chamado The Long and Winding Road - The Beatles History. Passaram-se duas décadas. Em 1994, Yoko e Paul acertaram suas rusgas e conflitos e a viúva de John deu a ele uma fita cassete com três canções a serem finalizadas. Paul reuniu George e Ringo e mostrou as canções. Então, como nos velhos tempos, eles se reuniram para concluir as composições do amigo. Isso acabou sendo o gancho para a realização do documentário definitivo sobre os Beatles que foi chamado Anthology, que consistiu num tour de force com o velho produtor dos Beatles, George Martin e o amigo e novo parceiro Jeff Lynne (ex-ELO e Travelling Wilburys).
Em 1995, entraram em estúdio e finalizaram Free As  A Bird, cujo original só tinha a voz de John ao piano. Foram adicionados outros instrumentos, linha rítmica, vocais e overdubs mil. Paul e George criaram harmonias vocais e bolaram uma letra para o middle eight onde cada um canta uma parte; Ringo inseriu sua inconfundível levada na bateria e no final, foi colocada uma referência a um clássico da banda Come Together. O produto final deste trabalho se tornou uma legítima Beatles Song.
Free As A Bird tem uma letra singela que fala sobre liberdade e paz. Foi feito um clipe ao melhor estilo de identificar qual música dos Beatles é mostrado em cada cena.

Ficha técnica:

John: vocal principal, piano
Paul: vocal principal, harmonias, baixo, violão, teclados, piano
George: vocal principal, guitarra líder, violão, guitarra slide, harmonias
Ringo: harmonias, bateria
Jeff Lynne: harmonias, guitarra

Juntos como nos bons tempos, livres como pássaros
Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/free-as-a-bird/

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Não deixe o Ringo de lado

Já que no post anterior nós falamos do début de George como compositor nos Beatles, vamos falar da primeira composição de Ringo a figurar num álbum dos Fab 4, Don't Pass me By do White Album (1968). Aí vocês, leitores do blog me perguntam "e quanto a What Goes On?". Sim, essa foi a primeira vez que o Ringo, com uma ajudinha dos amigos John e Paul compôs uma canção mas Don't Pass me By foi a primeira que o nosso querido baterista compôs sozinho. Ringo nunca foi muito de querer seu lugar ao sol enquanto compositor dos Beatles, diferente de George que, ao defender suas composições, acabou evoluindo e muito (seja nos Beatles ou carreira solo). Quando os Beatles começaram sua trajetória na Parlophone, ficou acertado que Ringo teria uma canção para interpretar por disco (nenhuma dele, claro). Muita gente acredita que a canção fora composta em 1968, mas na verdade muito antes disso. Ela foi mencionada pela primeira vez em 14 de julho de 1964 durante o programa Top Gear, um dos muitos que os Beatles faziam na BBC. Na introdução de And I Love Her, perguntaram a Ringo se ele tinha planos de compor alguma coisa para a banda e respondeu que até aquele momento não tinha escrito nada. Paul brincou com ele cantarolando algo como "Dont pass me by, don't make me cry, don't make me blue [não me deixe de lado, não me faça chorar, não me faça ficar triste]. Ringo disse, tempos depois, que pensou nas frases de Paul em casa. Martelando o piano, começou a compor a canção que ficou ignorada até 1968, quando os Beatles começaram a trabalhar no White Album. Naquele instante, John e Paul não estavam tão preocupados em encher o disco com suas composições. Aceitaram tudo o que estivesse disponível para tal. Foi aí que Ringo emplacou Don't Pass me By, que estranhamente foi intitulada como Ringo's Tune e This is Some Friendly.  George Martin, o produtor dos Beatles até compôs uma introdução orquestrada para a canção durante as sessões de Good Night (canção de Lennon & McCartney que Ringo canta no White Album). Acabou não sendo utilizada no produto final, sendo aproveitada em 1996 no álbum Anthology 3 com o nome A Beginning. A bela composição de Ringo, que vai num estilo bem country, chega a ser irônica. A letra fala do sujeito que não quer perder seu amor e ser deixado de lado. Até parece uma súplica aos colegas de banda. A canção também fez parte da famosa conspiração "Paul Is Dead", criada por uns fãs que John Lennon chamava Beatles-Intérpretes. Num trecho, a composição teria citado a forma como Paul havia "morrido": "You were in a car crash/And you lost your hair (você esteve num acidente de carro e perdeu seu cabelo).
Na sessão de gravação, John e George não participam [não se sabe se estiveram presentes] e a banda contou com um músico de estúdio, Jim Fallon (violino).
Não houve versões de Don't Pass me By até 1988 quando a banda americana The Georgia Sattellites fez a sua. A banda-paródia dos Beatles, The Rutles gravou uma canção bem parecida com a composição de Ringo chamada Living in Hope. Existem versões mais recentes interpretadas por The Gourds e The Punkles.

Ficha técnica (segundo o livro The Beatles Record Sessions de Mark Lewinsohn:


Ringo: vocal principal, bateria, sleigh bell, piano
Paul: baixo, piano
Jim Fallon: violino


All Ringo need is Love (and good songs, too)