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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Uma conta simples

Quanto é um mais um? Não precisa responder, pois é a conta matemática mais elementar que existe. Parece até meio bobo falar dessas coisas que aprendemos na primeira série mas tem tudo a ver com esse post.

One and One is Two foi composta por Paul em 1963, com crédito para Lennon & McCartney por causa do famoso acordo entre os dois Beatles de assinar em dupla mesmo se a música tivesse sido escrita/composta por um deles apenas. É uma das mais obscuras composições deles. Não se sabe se Paul tinha pretensão de usá-la num disco dos Beatles. Ao que parece, ele pode não ter gostado do resultado pela estrutura simplória que a música tinha, a partir de uma demo que ele fez ao violão. Sendo assim, ela acabou sendo cedida a outros artistas, tornando-se , assim uma gave away song.

Billy J. Kramer & The Dakotas (banda empresariada por Brian Epstein) foram os primeiros cogitados a gravaram a canção, já que tinham conseguido grande êxito com duas músicas da lavra de Lennon & McCartney, Do You Wat to Know a Secret (veja post) e Bad to Me. Eles recusaram talvez por não ver grande coisa naquela música ou por que estavam com músicas demais creditadas à dupla (além das duas citadas, podemos citar I Call Your Name, I'll Be on My Way, I'll Keep You Satisfied e From a Window. Ufa!). Outra banda empresariada por Epstein, The Fourmost também foi sondada mas já estava sossegada com suas duas gave aways, Hello Little Girl e I'm In Love.

A música acabou sendo gravada em 1964 por uma banda obscura chamada The Strangers with Mike Shannon e foi um retumbante fracasso comercial a exemplo de Tip of My Tongue, outra música de Lennon & McCartney (cedida a Tommy Quickly) que não decolou. tanto a banda quanto a música sumiram no limbo. Ela acabou sendo gravada numa coletânea chamada The Songs that Lennon & McCartney Gave Away e só. Em sua famosa entrevista na Playboy em 1980, John enumerou músicas suas, de Paul e creditadas de fato à dupla e o comentário que fez sobre One and One is Two foi: "esta foi horrível!".

Nos anos 80 e 90, a música foi lembrada pela banda holandesa Bas Muys, pela australiana The Beatniks e pela argentina The Beats, em seus respectivos álbuns com canções cedidas a outros artistas.


Ficha técnica:

Paul: vocal principal, violão

Fonte:
http://www.answers.com/topic/the-strangers-with-mike-shannon

segunda-feira, 7 de março de 2011

Eu acho que vi um gatinho...

Vou aproveitar uma frase do Piu Piu, personagem da Looney Tunes para começar esse post que fala sobre uma das primeiras composições atribuídas a Paul: Catswalk.

Os Beatles tinham em seu repertório alguns números instrumentais que a banda fazia desde os anos 50, quando ainda se chamavam The Quarrymen, como os covers Guitar Boogie Shuffle (Bert Weedon), Movin' and Groovin/Ramrod (Duane Eddy) e Raunchy (Bill Justis) além de coisas próprias como Cayenne (Lennon & McCartney) e Cry For a Shadow (Harrison & Lennon).

Num ensaio do Cavern Club, provavelmente ocorrido em outubro, já contando com Ringo como baterista oficial, a banda resolveu gravar algumas coisas como uma versão primitiva de I Saw Her Standing There, dois takes de One After 909 e dois de Catswalk, sendo essa última creditada apenas a Paul, algo inusitado naquela época. É uma música instrumental cujo estilo remete, talvez a The Ventures ou The Shadows, contemporâneos dos Beatles que àquela altura já eram muito famosos na Inglaterra.

O interessante é que os Beatles não gravaram peças instrumentais em seus discos oficiais até 1967 quando Flying fez parte do álbum Magical Mystery Tour (1967).

Catswalk continuou no "limbo" até 1967 quando a banda Chris Barber Jazz Band se interessou em gravá-la usando o nome de Catcall (com Mercy Mercy Mercy como lado B), contando com a participação de Paul cantando num coro de vozes. Barber era reverenciado entre os músicos britânicos e gravar uma coisa (mesmo que obscura) dos Beatles deve ter sido uma honra e tanto.

Ficha técnica:

Paul: baixo
John: guitarra rítmica
George: guitarra líder
Ringo: bateria

Fontes:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesource.com/bs/mains/audio/xCavernReh/pg2.html
http://rateyourmusic.com/list/snellius/beatles__the_beatles_for_others__the_giveaways_

Os Beatles ensaiando no Cavern Club em 1962

quarta-feira, 2 de março de 2011

É pra você, Cilla

Neste post, vamos falar de It's For You, uma bela composição que John e Paul escreveram para a amiga dos Beatles, a cantora Cilla Black, cujo nome de batismo é Priscilla Maria Veronica White. Hora dessas eu escrevo a história dela no meu blog Biografias Musicais.

Cilla já tinha gravado antes outra gave away song de Lennon & McCartney, Love of The Loved (1963). Paul fez uma fita demo da canção e mostrou-a a George Martin, que já tinha trabalhado em outros singles da cantora. Tanto Paul quanto John estavam nas sessões de gravação ajudando Martin com sugestões. Consta que Paul teria tocado piano, mas não há comprovação.

A canção tem uma bela construção melódica bem ao estilo de Burt bacharach, de quem Cilla já tinha gravado um single anterior e a letra fala de uma pessoa que acredita muito no sentimento que vem do coração.

Além de Cilla, há outras versões da canção sendo que a mais conhecida era a interpretada à capella pelo grupo americano Three Dog Night em seu disco de estréia.

Há também as versões da banda holandesa Bas Muis, da australiana The Beatniks e a argentina The Beats, todas Beatles-Tribute.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
John e Paul ofereceram belas canções a Cilla Black

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Los Beatles y su latinidad: Step Inside Love/Los Paranoyas

Na esteira do post anterior, vamos falar de outras duas canções das sessões de gravação de I Will.

A primeira é Step Inside Love, uma gave away song que Paul havia composto em 1968 para Cilla Black, uma das protegidas de Brian Epstein, o empresário dos Beatles. Cilla já havia gravado outras canções cedidas por Lennon & McCartney como Love of The Loved e It´'s For You. Paul havia gravado uma demo em 1967, que se tornou um bootleg.

É uma bela canção com uma levada bem ao estilo da Bossa Nova em que as características românticas de Paul como compositor são perceptíveis. A letra fala sobre o sentimento de proteção que o amor traz. No caso da sessão de I Will, a banda tocou um trecho da música e já emendou com a próxima.

Los Paranoyas começa com Paul anunciando uma banda fictícia chamada Joe Prairie and Prairie Wallflowers, no que John emenda com Los Paranoyas, talvez uma brincadeira com um grupo latino que apareceu em programs da BBC nos anos 50 chamado Trio Los Paraguayos que tocou no mesmo show que os Beatles fizeram para a rainha em 1963. Seguindo a brincadeira, vem uma "bossa nova do inglês doido" com Paul cantando algo como "Los Paranoyas convidam vocês para que os divirtam" e John repetindo com voz cômica: I can't make it! [= não posso fazer isso!] . É mais uma forma de rimar "Paranoyas" com "enjoy us". Não espere muito sentido nessa brincadeira musical  non sense que foi creditada aos quatro Beatles (embora George não tenha participado dela).

Essa divertida jam session foi lançada no álbum Anthology 3 (1997). Quem souber da verdadeira história por trás de Los Paranoyas, por favor, pode dar a referência nos comentários, o que será devidamente creditado. Come on, enjoy us!

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, violão, falas
John: percussão, falas
Ringo: chocalho

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/los-paranoias/
http://www.dmbeatles.com/forums/index.php?topic=8578.0

Joe Praires & Prairies Wallflowers, isto é, Los Paranoyas

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

George Interpreta Lennon & McCartney

Continuando a série, vamos falar sobre uma das únicas canções interpretadas por George que foram compostas por seus parceiros, John e Paul: Do You Want To Know a Secret?


A bem da verdade, a canção foi composta em sua maior parte por John [embora Paul se considere uns 50% pai da criança], que a teria escrito especialmente para George, tendo como inspiração I'm Wishing, uma canção do clássico da animação da Disney Branca de Neve e os Sete Anões. John, num depoimento teria dito em tom de brincadeira: "eu a compus para George por que tinha só umas três notas e ele não era o melhor cantor do mundo". John acrescentou: "mas ele melhorou muito desde então".

A canção fez parte do álbum Please Please Me (1963) e foi uma das duas contribuições de George para o álbum (a outra música foi Chains, lembra?) e foi lançada um ano depois em single nos EUA com Thank You Girl como lado B. Ela nunca foi lançada desta forma na Inglaterra porque a música havia sido oferecida a Billy J. Kramer with The Dakotas em seu single de estréia (que tinha como lado B I'll Be On My Way, também de Lennon & McCartney) que alcançou o primeiro posto nas paradas britânicas.

A letra fala sobre um segredo de amor partilhado eternamente entre um casal de namorados e foca um pouco na influência dos grupos de Doo Wop sobre a banda [lembra os shoo-ra-roos do corinho feito por John e Paul?].

Ficha técnica:

George: vocal principal, guitarra líder
John: backing vocals, guitarra rítmica
Paul: backing vocals, baixo
Ringo: bateria, baquetas tocadas no middle eight

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/do-you-want-to-know-a-secret/

Quer saber um segredo? George é o cara!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hello Little Johnny!

Vamos aqui falar da primeira composição original de John, Hello Little Girl. e que por acordo feito com o parceiro Paul é creditada a Lennon & McCartney. Consta que John deve tê-la escrito em 1957, quando os Quarrymen ainda eram uma banda recém formada. John, décadas mais tarde teria declarado que compôs a canção inspirado por It's De-Lovely de Cole Porter, que sua mãe Julia costumava cantar para ele. Embora o forte de John fosse os covers que a banda tocava (Elvis, Buddy Holly, Lonnie Donegan), onde ele podia fazer de conta que era um de seus herois, ele tinha uma enorme facilidade de compor a  partir de trocadilhos ou frases inventadas. Por exemplo, ele não conhecia direito a letra de Come Go With Me (Del-Vikings) e emendava frases engraçadas como: "come and go with me to the penitentiary (venha comigo para a penitenciária)". Quando Paul entrou para os Quarrymen, incentivou o novo amigo a compor mais coisas próprias. Foi aí que John mostrou-lhe Hello Little Girl.
Quando a banda se reuniu na casa de Paul em maio de 1960 para ensaiar e gravar num daqueles gravadores portáteis antigos, Hello Little Girl foi relembrada e fez parte do set list. A versão primitiva tinha uma levada que lembrava muito o estilo de Buddy Holly em coisas como Heartbeat ou Rave On. a canção entrou em definitivo para o repertório da banda, embora não hajam outros registros dela (a gravação na casa de Paul acabou se tornando o bootleg Quarrymen At Home, 1960).  Em 1962, quando a banda (ainda com Pete Best na bateria) fez o famoso teste para a Decca Records, eles procuraram fazer um set list bem básico e lembraram de Hello Little Girl de novo. Naquela ocasião, deram uma característica mais rocker para a composição que ficou parecendo com o estilo de Gene Vincent, com John usando um vocal mais enérgico do que na versão primitiva. Recusados pela Decca, contratados pela Parlophone, a capacidade prolífica da dupla para compor material para a banda acabou deixando Hello Little Girl em segundo plano. Uma terceira versão da música teria sido tocada num dos primeiros programas que os Beatles fizeram na BBC em 1962, estando atualmente desaparecida. Como a Parlophone nunca utilizou essa e algumas outras do repertório do teste da Decca, ela foi oferecida para a banda Gerry & The Pacemakers como lado B de How Do You Do It (que os próprios Beatles se recusaram a gravar, preferindo Please Please Me, mas isso é assunto para outro post), chegando a gravar uma demo. Mas a banda preferiu gravar I Like It. nos mais tarde, a versão de Gerry & The Pacemakers acabou aparecendo numa coletânea da banda. Então, foi oferecida para a banda The Fourmost que acabou gravando-a. Este é outro exemplo de gave way song. veja a letra.

Ficha técnica (Quarrymen at Home)

John: vocal principal, guitarra
Paul: harmonia vocal, guitarra
George: guitarra
Stu: baixo

Ficha técnica (Decca Tapes)

John: vocal principal, guitarra
Paul: harmonia vocal, baixo
George: harmonia vocal, guitarra líder
Pete Best: bateria

Hello Little Boys!
Crédito:

http://www.beatlesbible.com/songs/hello-little-girl/

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

I'll be on my way

Vou inaugurar o blog falando sobre esta que é uma canção obscura para os leigos mas top 10 dos Beatlefans. I'll Be On My Way foi composta por John e Paul e é considerada uma das primeira gave away songs, ou seja, canções cedidas a outros artistas que os Beatles nunca utilizaram em seus álbuns oficiais.

A canção foi gravada em 1963 por Billy J. Kramer with The Dakotas, outra banda empresariada por Brian Epstein que fez parte do advento da Segunda Onda ou Invasão Britânica. Foi lado B de Do Want To Know a Secret, outra canção de Lennon & McCartney, clássico dos Fab 4 do álbum Please Please Me (1963). Nos EUA, foi lado B de From a Window, outra gave away song composta por Lennon & McCartney.

Os Beatles haviam tocado essa canção em 1963 no programa de rádio Side By Side, um dos muitos que faziam na BBC. Ela foi gravada em 4 de abril e transmitida em 24 de junho daquele ano.

A canção fala sobre seguir em frente após uma desilusão amorosa e é inspirada no estilo de Buddy Holly, uma das grandes influências dos Fab 4. Ela lembra um pouco a levada de It Doesn't Matter Anymore.

Existem algumas versões interessantes da canção como a interpretada por The Beatniks, uma banda cover australiana que lançou um disco cantando as gave aways. A dupla Leno e Lilian gravou uma versão em português chamada O Sol se Põe no Horizonte.

A versão tocada pelos Beatles (conhecida dos Beatlefans através de bootlegs) foi lançada no álbum The Beatles Live at BBC (1994).

Ficha técnica:

John: guitarra rítmica, vocais principais
Paul: baixo, vocais principais
George: guitarra líder
Ringo: bateria




Fontes:

Wikipedia