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quinta-feira, 24 de março de 2011

O início e o fim

Parece até meio bobo o título deste post mas ele tem um certo fundamento (considerando que queirmei neurônios durante horas pensando num nome). Quando John começou a aprender a tocar, sua mãe, Julia Stanley Lennon foi quem lhe passou as primeiras noções. O problema é que John havia aprendido a tocar violão a partir de acordes de banjo e assim foi durante um bom tempo, naqueles primórdios dos Quarrymen, a primeira banda de John. Caso queira acompanhar o início da biografia que estou escrevendo sobre os Beatles, veja aqui. Julia ensinou John a tocar algumas coisas do Rock como Ain't That a Shame de Fats Domino e tradicionais como Maggie Mae, uma canção inglesa que acredita-se ter tido origem no início do XIX. Era um hino informal da cidade de Liverpool e fazia parte do repertório recorrente dos Quarrymen pela facilidade que John tinha em tocá-la.

Em janeiro de 1969, durante as Get Back Sessions, quando os Beatles estavam preparando material para um projeto que visava uma volta às origens, nada mais justo que incluir no set list uma das músicas que John tocava na fase pré-histórica da banda, embora usassem apenas um trecho da letra. Com o arquivamento do projeto, poucas dessas músicas foram aproveitadas para o derradeiro disco dos Beatles, Let It Be (1970). A versão de Maggie Mae que conhecemos do disco tem apenas 41 segundos e não há sequer um final, apesar da produção do competente Phil Spector. Há uma versão um pouco maior dela com 56 segundos.  A letra conta a história de uma prostituta muito ladina que surrupiou um marinheiro e acabou sendo julgada por isso. A música é creditada aos quatro, sendo uma das únicas da discografia dos Beatles nessa condição [Flying do álbum Magical Mystery Tour (1967) é a outra]. Vejaz aqui a letra inteira.

Os Beatles não foram os primeiros a gravar a canção. A banda The Vipers Skiffle Group (de onde saíram Tony Meehan e Jet Harris para formar The Shadows - veja biografia aqui) chegou a gravá-la no final dos anos 50. Ela também foi utilizada, em 1964, num showcase teatral inglês homônimo feito Lionel Bart, criador do musical Oliver. Nos anos 70, o cantor inglês Rod Stewart (ex-Faces) gravou uma música chamada Maggie May que nada tem a ver com aquela canção tradicional. Ela foi lembrada, inclusive no  filme Nowhere Boy (2010), que fala sobre a juventude de John.

Quando o álbum Let It Be Naked (2003), com músicas do LP original sem a produção de Phil Spector, foi lançado, Maggie Mae ficou de fora.

Ficha técnica:

John: vocal principal, violão
Paul: backing vocals, harmonias
George: guitarra líder
Ringo: bateria

Fonte:

Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/maggie-mae/

Cena do filme Nowhere Boy que remonta um show dos Quarrymen de 1957

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Los Beatles y su latinidad: Step Inside Love/Los Paranoyas

Na esteira do post anterior, vamos falar de outras duas canções das sessões de gravação de I Will.

A primeira é Step Inside Love, uma gave away song que Paul havia composto em 1968 para Cilla Black, uma das protegidas de Brian Epstein, o empresário dos Beatles. Cilla já havia gravado outras canções cedidas por Lennon & McCartney como Love of The Loved e It´'s For You. Paul havia gravado uma demo em 1967, que se tornou um bootleg.

É uma bela canção com uma levada bem ao estilo da Bossa Nova em que as características românticas de Paul como compositor são perceptíveis. A letra fala sobre o sentimento de proteção que o amor traz. No caso da sessão de I Will, a banda tocou um trecho da música e já emendou com a próxima.

Los Paranoyas começa com Paul anunciando uma banda fictícia chamada Joe Prairie and Prairie Wallflowers, no que John emenda com Los Paranoyas, talvez uma brincadeira com um grupo latino que apareceu em programs da BBC nos anos 50 chamado Trio Los Paraguayos que tocou no mesmo show que os Beatles fizeram para a rainha em 1963. Seguindo a brincadeira, vem uma "bossa nova do inglês doido" com Paul cantando algo como "Los Paranoyas convidam vocês para que os divirtam" e John repetindo com voz cômica: I can't make it! [= não posso fazer isso!] . É mais uma forma de rimar "Paranoyas" com "enjoy us". Não espere muito sentido nessa brincadeira musical  non sense que foi creditada aos quatro Beatles (embora George não tenha participado dela).

Essa divertida jam session foi lançada no álbum Anthology 3 (1997). Quem souber da verdadeira história por trás de Los Paranoyas, por favor, pode dar a referência nos comentários, o que será devidamente creditado. Come on, enjoy us!

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, violão, falas
John: percussão, falas
Ringo: chocalho

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/los-paranoias/
http://www.dmbeatles.com/forums/index.php?topic=8578.0

Joe Praires & Prairies Wallflowers, isto é, Los Paranoyas

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Vôo dos Besouros

Até gostaria de falar sobre a composição de Rimsky-Korsakov chamada em inglês The Flight of Bumble Bee, que é uma alusão ao nosso post. Mas como os Beatles não a gravaram fica para um novo blog (quem sabe?).

Os Beatles eram fissurados por pássaros e pelo ato de voar [vide suas músicas Norwegian Wood (This Bird Has Flown), And Your Bird Can Sing, Blackbird, Free as a Bird, Back In The USSR ("Flew in from Miami Beach BOAC...")] Faltou alguma música? Faltou sim: Flying, a música da qual vamos falar no post.

Essa música tem dois méritos: é a primeira peça instrumental dos Beatles a figurar num álbum da banda pela EMI e a primeira composição assinada [e cantarolada] pelos quatro Beatles. A música recebeu no início o nome de Aerial Tour Instrumental para figurar no filme feito para a TV Magical Mystery Tour e no EP homônimo. Veja a versão completa.

O estilo dela remete ao vaudeville, que é uma das influências da banda mas beira o psicodelismo, lembrando uma música tocada em clubes de strip tease. Em resumo: Teatro Rebolado Lisérgico. Os Beatles usaram pela primeira vez numa gravação o mellotron.

Por falar em strip tease, é notório que os Rapazes de Liverpool tocaram em inferninhos como banda de fundo para uma stripper chamada Shirley. Seria uma citação?

A verdade é que a música faz juz a seu nome, pois quem a ouve acaba voando mesmo...

Novamente, deixo em aberto: se alguém sabe mais alguma coisa esta música, é só deixar nos comentários que eu dou o devido crédito.

Ficha técnica:

John: voz, órgão, mellotron, efeitos sonoros
Paul: voz, guitarra, baixo
George: voz. guitarra
Ringo: voz, bateria, maracas, efeitos sonoros

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/flying/
Se não acreditam em mim, vejam com seus próprios olhos:
Esses caras voam mesmo!