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terça-feira, 12 de abril de 2011

Seguindo Pistas

Quando Paul sofreu um acidente de moto em 1966 isso abriu margem para o maior folclore da história dos Beatles: a Morte de Paul. O boato era de que teria morrido de forma violenta por causa de tal acidente e foi subsituído por um tal William Campbel ou Billy Shears. Alguns fãs se tornaram "detetives" e passaram a perscrutar os discos dos Beatles à procura de "pistas" sobre o ocorrido. Nossos herois, pra dar umas risadas e curtir com a cara desses paranóicos chamados "Beatle-intérpretes" plantaram as tais "pistas". É disso que trata a música da qual vamos falar neste post.

Glass Onion foi composta por John em 1968, sendo uma das poucas que não foram escritas quando do idílio dos Beatles na Índia, de onde voltaram cheios de ideias para um novo álbum. Ela tem citações de vários clássicos dos Beatles como I'm The Walrus, Lady Madonna, The Fool on the Hill, Fixing a Hole e Strawberry Fields Forever. Cansado das especulações dos Beatles-intépretes, John faz sua crítica à perda de tempo deles. O título da música John teria tirado de  Through A Looking Glass, livro de Lewis Carroll (autor de Alice no País das Maravilhas), um de seus escritores favoritos. Veja letra aqui.

Foram necessários 6 dias de sessões para que a música ficasse do jeito que conhecemos no White Album, sendo que no primeiro dia, foi trabalhada a parte rítmica básica. No segundo John adicionou os vocais e Ringo o pandeiro (curiosidade: é a primeira participação do baterista nas sessões do disco, que tinha se indisposto com Paul dias antes e chegou a deixar os Beatles por um tempo). No terceiro foi a vez de Paul incluir o baixo e Ringo uma outra parte da bateria. Depois vieram os efeitos e as orquestrações do final. Os destaques da música são a voz agressiva de John, Paul tocando flauta, a cozinha rítmica muito bem levada por Paul e Ringo, a guitarra de George e o final com uma orquetra dando um tom meio misterioso, como se fosse um filme de suspense.

No Anthology 3, saíram duas versões alternativas da música: uma demo feita na casa de George e outra com final alternativo (ao invés da orquestra, uma voz gritando: "é gol!", extraída aleatoriamente do rádio).

Ficha técnica:

John: vocal principal, violão
Paul: baixo, piano, flauta
George: guitarra líder
Ringo: bateria, pandeiro
Músicos de estúdio:
Henry Datyner, Eric Bowie, Norman Lederman, Ronald Thomas: violinos
John Underwood, Keith Cummings: violas
Eldon Fox, Reginald Kilbey: violoncelos

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/glass-onion/
http://www.thebeatlesonline.com/pages/beatles_glassonion.htm

John: olhando através dos óculos de cebola

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cante e Voe, Pássaro Preto

No dia 04 de abril de 1968, um dos maiores defensores da igualdade entre os seres humanos foi assassinado. Naquele dia, há exatos 43 anos, Martin Luther King perdeu a vida por acreditar num mundo onde todos pudessem viver em harmonia. Por isso, hoje vamos fazer uma homenagem a esse grande ser humano falando sobre uma bela canção dos Beatles.

Blackbird foi composta por Paul em 1968, durante a estada dos Beatles na Índia. Para o acompanhamento do violão, ele teve como inspiração a peça Bourée em mi menor de Johann Sebastian Bach, que ele e George haviam tentado aprender durante a juventude, quando estudavam violão erudito. John e Paul haviam aprendido a técnica de dedilhado folk com o cantor Donovan e esta música é um exemplo disso. A estrutura métrica da música segue uma linha ndada ortodoxa, variando do 4/4 para o 3/4 e 2/4 em seus três versos em tom de G (sol). A letra da música foi escrita depois que Paul leu os jornais e viu a tensão racial que se avizinhava nos EUA, bem como o sofrimento das mulheres negras para se impor na sociedade racista e machista. Durante a primeira vez em que Linda Eastman, futura esposa de Paul, estave em sua casa, o Beatle tocou uma versão primitiva da música para uns fãs felizardos que estavam acampados por lá.

Como dito anteriormente, a letra fala do melro (nome em português), um pássaro de plumagem preta que tem um belo canto, que representa as mulheres vítimas da violência e preconceito racial. O verso que diz "Take these broken wings and learn to fly" (Tome essas asas quebradas e aprenda a voar) é um incentivo para que elas não se deixem vencer pelas dificuldades enfrentadas e continuem em frente.

A gravação da música durante as sessões do White Album contou apenas com Paul ao violão e voz, fazendo a marcação com o pé num assoalho colocado estrategicamente no estúdio para emular uma verdadeira canção tipicamente folk. Para o final da música, pediu que os engenheiros de som adicionassem o canto do melro (efeito sonoro) o que a deixou com o resultado que conhecemos.

Uma curiosidade macabra sobre a música: ela teria inspirado (junto com Helter Skelter e Piggies do mesmo álbum) o psicopata Charles Manson e seu grupo de seguidores sádicos a cometer os bárbaros crimes de 1969, onde a atriz Sharon Tate, esposa do diretor Roman Polanski foi uma das vítimas.

Existem outras versões conhecidas de Blackbird, das quais citamos a interpretada pelo supergrupo Crosby Stills, Nash & Young que a tocaram quando de sua persentação no festival Woodstock. Também cito os covers de Grateful Dead e Billy Preston. Ela sempre fez parte do repertório da carreira solo de Paul como esta versão.

Se alguém conhecer alguma outra versão, pode falar dela via comentários. Darei o devido crédito

Ficha técnica:

Paul: violão, marcação com o pé
Efeitos sonoro: chilrear de um melro

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/blackbird/

"Melro cantando no morrer da noite..."

quarta-feira, 23 de março de 2011

Beatles on Blues

Em homenagem ao grande Pinetop Perkins, um grande Bluesman que faleceu anteontem, 21 de março, vamos falar de uma canção dos Beatles com a levada característica do Blues. Veja biografia dele aqui.

Yer Blues foi composta por John em 1968 quando os Beatles estavam na Índia. Apesar da aparente paz no retiro espiritual indiano, John estava escrevendo letras profundas e conturbadas. Nela, o Beatle faz um desabafo com sua própria vida, igual ao apelo por socorro que fez quando compôs o clássico Help! Embora pareça uma paródia com o estilo de cantar um Blues [triste], John traz à tona todos os seus temores e angústias. A canção de Bob Dylan Ballad of a Thin Man é uma clara influência para a elaboração da letra de Yer Blues. Os Beatles gravaram uma demo na casa de George em Esher e levaram ao estúdio quando começaram as sessões do White Album. Ringo é quem faz a contagem do começo. John faz uma das guitarras solo na versão do álbum.

A letra fala de um homem solitário que só pensa em morrer. Conforme depoimento posterior de John sobre a canção, "quando escrevi 'I'm so lonely I wanna die' [estou triste e quero morrer] na letra, eu não estava brincando". Evoca o personagem da música de Bob Dylan Mr. Jones que tinha o mesmo sentimento.

John tocou Yer Blues quando de sua participação no especial dos Rolling Stones chamado Rock and Roll Circus (1968) com uma banda improvisada chamada Dirt Mac Blues Band que tinha, além dele na guitarra rítmica e vocais, Eric Clapton (guitarra líder), Keith Richard dos Stones (baixo) e Mitch Mitchell da Jimi Hendrix Experience (bateria) além de Yoko (bongôs). Foi a primeira vez que John tocou ao vivo sem os Beatles. Tocou também em 1969 com a primeira formação da Plastic Ono Band no festival Live Peace  In Toronto no Canadá.

Há alguns covers interessantes da música dos quais o mais interssante é o interpretado pela Jeff Healey Band. Há alguma outra? Pode citá-la nos comentários que eu dou o devido crédito.

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra líder
Paul: baixo
George: guitarra líder
Ringo: contagem no início, bateria

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/yer-blues/

John e a Dirt Mac Blues Band tocando Yer Blues

sexta-feira, 11 de março de 2011

Mamãezinha querida

Quem conhece a história dos Beatles sabe o quanto John era ligado à mãe, Julia Stanley Lennon que, embora não fosse presença constante na vida do menino num determinado tempo, foi fundamental para forjar seu caráter contestador e ferino e por sua genialidade que causou uma grande revolução na história da música do século XX. Muitos escritores/autores procuram explorar essa relação do líder dos Beatles com sua mãe, chegando a dizer que era algo edipiano [Não cabe a mim julgar, só estou escrevendo um post]. A verdade é que John compôs belas canções a partir de suas reminiscências infantis. Julia foi uma delas.

John começou a escrever a canção em 1968 quando os Beatles estavam na Índia, aproveitando o estilo dedilhado de tocar violão folk que havia aprendido com o amigo Donovan, que também estava naquele país com a banda. A bem da verdade, John quis falar não só da mãe como aproveitou a letra para fazer uma referência à sua amada Yoko Ono, a quem havia conhecido uns 2 anos antes [principalmente nos versos Oceanchild (significado em inglês para o nome de Yoko) calls me, algo como "criança (ou filha) do oceano me chama". Outro termo usado que fala de Yoko é "seashells eyes [olhos de concha]. A primeira parte da letra [Half of what I say is meaningless / But I say it just to reach you, Julia (metade das palavras que falo não tem sentido / mas as uso só para te alcançar, Julia] tirou do poema Sand and Foam do poeta libanês Kahlil Gibran.

É a única canção dos Beatles a contar com John tocando e cantando (com voz e guitarras dobradas) e é um momento sublime e pungente do álbum. Há uma versão primitiva da canção gravada na casa de George em Esher onde os outros Beatles participam fazendo coro à voz de John e há assobios no final.

Em 1990, durante um tributo a John, seu filho Sean cantou uma linda versão da canção. Não conheço nenhuma outra versão além desta o que deixo em aberto ao leitor informar nos comentários. Quem quiser informar mais alguma coisa, darei os devidos créditos.

Para finalizar, vejam só a coincidência: amanhã, 12 de março é o aniversário de Julia Lennon. Se estivesse viva, ela estaria completando 97 anos. Quando comecei a escrever o post, não me dei conta disso. Coisas de blogueiro...

Ficha técnica:

John: vocal principal dobrado, violão dobrado

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/julia/
John e sua mãe Julia: momentos felizes



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Los Beatles y su latinidad: Step Inside Love/Los Paranoyas

Na esteira do post anterior, vamos falar de outras duas canções das sessões de gravação de I Will.

A primeira é Step Inside Love, uma gave away song que Paul havia composto em 1968 para Cilla Black, uma das protegidas de Brian Epstein, o empresário dos Beatles. Cilla já havia gravado outras canções cedidas por Lennon & McCartney como Love of The Loved e It´'s For You. Paul havia gravado uma demo em 1967, que se tornou um bootleg.

É uma bela canção com uma levada bem ao estilo da Bossa Nova em que as características românticas de Paul como compositor são perceptíveis. A letra fala sobre o sentimento de proteção que o amor traz. No caso da sessão de I Will, a banda tocou um trecho da música e já emendou com a próxima.

Los Paranoyas começa com Paul anunciando uma banda fictícia chamada Joe Prairie and Prairie Wallflowers, no que John emenda com Los Paranoyas, talvez uma brincadeira com um grupo latino que apareceu em programs da BBC nos anos 50 chamado Trio Los Paraguayos que tocou no mesmo show que os Beatles fizeram para a rainha em 1963. Seguindo a brincadeira, vem uma "bossa nova do inglês doido" com Paul cantando algo como "Los Paranoyas convidam vocês para que os divirtam" e John repetindo com voz cômica: I can't make it! [= não posso fazer isso!] . É mais uma forma de rimar "Paranoyas" com "enjoy us". Não espere muito sentido nessa brincadeira musical  non sense que foi creditada aos quatro Beatles (embora George não tenha participado dela).

Essa divertida jam session foi lançada no álbum Anthology 3 (1997). Quem souber da verdadeira história por trás de Los Paranoyas, por favor, pode dar a referência nos comentários, o que será devidamente creditado. Come on, enjoy us!

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, violão, falas
John: percussão, falas
Ringo: chocalho

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/los-paranoias/
http://www.dmbeatles.com/forums/index.php?topic=8578.0

Joe Praires & Prairies Wallflowers, isto é, Los Paranoyas

Los Beatles y su latinidad: I Will

Com sabemos, os Beatles também adquiriram fascínio pela música latina. tanto que em seus shows ainda como banda obscura, eles tinham em seu repertório Besame Mucho (ainda que a versão do grupo vocal The Coasters). Embora algumas músicas dos álbuns dos Beatles tivessem alguma conotação latina (Ask Me Why, PS I Love You e And I Love Her, principalmente) foi só em 1968 que a veia latina dos Beatles veio à tona numa das sessões do álbum The Beatles (ou White Album). Neste post e no seguinte vamos falar das canções desse set latino.

Para começar, vamos falar de I Will, uma bela composição de Paul que ele fez quando da ida dos Beatles à Índia. Pelo menos a letra Paul compôs durante essa estada dos Fab 4 naquela ex-possessão britânica. Quando começaram a sessão de gravação da música, apesar da ausência de George, começaram a fazer uma brincadeira utilizando elementos latinos. Aí vieram Step Inside Love e Los Paranoyas e um trecho curto de The Way You Look Tonight, uma canção de 1936 de  Dorothy Fields e Jerome Kerns, um dos belos standards daquela década, cuja versão original foi cantada por Fred Astaire no filme Swing Time (lançado em português com o nome Ritmo Louco). Graças, principalmente a essa última, a composição de Paul tomou seu formato final.

A letra fala sobre a promessa de amor eterno e é um dos mais belos momentos do White Album, mostrando a característica marcante de Paul como romântico incorrigível. Foi uma de suas primeiras composições  tendo por musa sua namorada Linda, a futura sra. McCartney.

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, harmonias, violão
John: percussão
Ringo: címbalo, bongôs, maracas

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/i-will/


O romântico Paul e sua
eterna musa Linda


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Não deixe o Ringo de lado

Já que no post anterior nós falamos do début de George como compositor nos Beatles, vamos falar da primeira composição de Ringo a figurar num álbum dos Fab 4, Don't Pass me By do White Album (1968). Aí vocês, leitores do blog me perguntam "e quanto a What Goes On?". Sim, essa foi a primeira vez que o Ringo, com uma ajudinha dos amigos John e Paul compôs uma canção mas Don't Pass me By foi a primeira que o nosso querido baterista compôs sozinho. Ringo nunca foi muito de querer seu lugar ao sol enquanto compositor dos Beatles, diferente de George que, ao defender suas composições, acabou evoluindo e muito (seja nos Beatles ou carreira solo). Quando os Beatles começaram sua trajetória na Parlophone, ficou acertado que Ringo teria uma canção para interpretar por disco (nenhuma dele, claro). Muita gente acredita que a canção fora composta em 1968, mas na verdade muito antes disso. Ela foi mencionada pela primeira vez em 14 de julho de 1964 durante o programa Top Gear, um dos muitos que os Beatles faziam na BBC. Na introdução de And I Love Her, perguntaram a Ringo se ele tinha planos de compor alguma coisa para a banda e respondeu que até aquele momento não tinha escrito nada. Paul brincou com ele cantarolando algo como "Dont pass me by, don't make me cry, don't make me blue [não me deixe de lado, não me faça chorar, não me faça ficar triste]. Ringo disse, tempos depois, que pensou nas frases de Paul em casa. Martelando o piano, começou a compor a canção que ficou ignorada até 1968, quando os Beatles começaram a trabalhar no White Album. Naquele instante, John e Paul não estavam tão preocupados em encher o disco com suas composições. Aceitaram tudo o que estivesse disponível para tal. Foi aí que Ringo emplacou Don't Pass me By, que estranhamente foi intitulada como Ringo's Tune e This is Some Friendly.  George Martin, o produtor dos Beatles até compôs uma introdução orquestrada para a canção durante as sessões de Good Night (canção de Lennon & McCartney que Ringo canta no White Album). Acabou não sendo utilizada no produto final, sendo aproveitada em 1996 no álbum Anthology 3 com o nome A Beginning. A bela composição de Ringo, que vai num estilo bem country, chega a ser irônica. A letra fala do sujeito que não quer perder seu amor e ser deixado de lado. Até parece uma súplica aos colegas de banda. A canção também fez parte da famosa conspiração "Paul Is Dead", criada por uns fãs que John Lennon chamava Beatles-Intérpretes. Num trecho, a composição teria citado a forma como Paul havia "morrido": "You were in a car crash/And you lost your hair (você esteve num acidente de carro e perdeu seu cabelo).
Na sessão de gravação, John e George não participam [não se sabe se estiveram presentes] e a banda contou com um músico de estúdio, Jim Fallon (violino).
Não houve versões de Don't Pass me By até 1988 quando a banda americana The Georgia Sattellites fez a sua. A banda-paródia dos Beatles, The Rutles gravou uma canção bem parecida com a composição de Ringo chamada Living in Hope. Existem versões mais recentes interpretadas por The Gourds e The Punkles.

Ficha técnica (segundo o livro The Beatles Record Sessions de Mark Lewinsohn:


Ringo: vocal principal, bateria, sleigh bell, piano
Paul: baixo, piano
Jim Fallon: violino


All Ringo need is Love (and good songs, too)