quinta-feira, 17 de março de 2011

Grilos e Besouros - parte 3

Embora Buddy Holly tenha crescido e vivido no meio Country, sua versatilidade e ecletismo eram bastante evidentes. Ele podia ir de uma conotação mais voltada ao estilo do Grand Ole Opry (a versão primitiva de That'll Be The Day), pelo Rockabilly (Rock Around Ollie Vee e Oh Boy) e até Rhythm & Blues (Not Fade Away) e baladas orquestradas (It Doesn't Matter Anymore).

Neste post vamos fazer um crossover entre essa série específica sobre covers de Buddy Holly e a série Get Back Sessions falando de Not Fade Away, canção escrita em 1957 por Buddy usando seu nome de batismo Charles Hardin, dando o crédito de co-autor a Norman Petty, o produtor dos Crickets por mera formalidade. Holly era fascinado pelo estilo de Bo Diddley, uma mistura entre R & B e rítmo africano e construiu a música com essa estrutura. Em suas últimas sessões em estúdio, Buddy chegou a gravar um cover da principal canção de Ellas McDaniel (outro nome usado por Bo Diddley) chamada Bo Diddley, que foi lançado num álbum póstumo. A canção foi lançada como lado B do single Oh Boy e fez parte do primeiro álbum The Chirpin' Crickets. A letra fala de uma proposta de amor eterno que não vai desaparecer

Como grandes admiradores dos Crickets é de se supor que essa música fizesse parte do repertório dos Beatles, embora não existam registros dela nessa fase dos Fab 4. Quando eles começaram as famigeradas Get Back Sessions, Not fade Away foi lembrada e eles chegaram a ensaiá-la no dia 29 de janeiro de 1969, misturando com a já citada Bo Diddley num Rock do Beatle Doido.

Uma das versões mais conhecidas da canção é a que foi gravada pelos Rolling Stones em seu álbum de estréia (versão americana) em 1964. Além dessa podemos citar os covers de Bob Fuller Four, Rush, Status Quo, Grateful Dead, Bruce Springsteen & E-Street Band e Supremes, que a gravaram em 1964 mas só foi lançada em 2008 (!!).

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: baixo
George: guitarra líder
Ringo: bateria
Billy Preston: teclados

Fontes:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/features/get-back-let-it-be-sessions-complete-song-list/

Buddy Holly: o Rock and Roll nunca vai desaparecer

quarta-feira, 16 de março de 2011

Grilos e Besouros - parte 2

Outro grande músico britânico que rende tributo a Buddy Holly & The Crickets é Mick Jagger. Apesar de os Rolling Stones fazerem parte da vertente mais ligada ao Blues (Muddy Waters, Lightinin' Hopkins e T-Bone Walker, entre outros) ele e Keith Richards sempre foram entusiastas dos Rockers americanos como Buddy, Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Bo Diddley.

Outra música de Buddy Holly & The Crickets que fazia parte do repertório recorrente dos Beatles em sua fase pré-Parlophone é a quase obscura Reminiscing, que foi composta por Buddy provavelmente em 1958. Foi dado o crédito de co-autoria ao lendário saxofonista King Curtis (biografia aqui), um virtuoso músico de estúdio que teve no currículo, além das gravações com Buddy Holly,  trabalhos com os Coasters e uma grande parceria com Aretha Franklin em sua fase inicial. Curiosidade: The Kingpins, banda de apoio de Aretha e que tinha Curtis em seu line up abriu o memorável show dos Beatles no Shea Stadium em 1965.

A canção, só foi lançada em 1962, uns três anos após a morte de Buddy através do álbum homônimo.A letra da canção fala sobre alguém relebrando um fato que lhe causou muita mágoa.

Essa música entrou para o repertório dos Beatles logo que foi lançada através de um single na Inglaterra e o único registro gravado pelso Fab 4 é o do show do Star Club em Hamburgo, que foi lançado em 1977 (Live at Star Club, 1962).

Ficha técnica:
George: vocal principal, guitarra líder
John: guitarra rítmica
Paul: baixo
Ringo: bateria

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatles-discography.com/songs/?title=reminiscing
Star Club (1962) - lembranças de um bom show

Grilos e Besouros - parte 1

Buddy Holly & The Crickets foi uma das principais bandas do advento da Primeira Onda, tendo sido  grande influência para as então emergentes bandas britânicas do início da década de 60 que se destacaram no chamado Mersey Beat. Como não poderia deixar de ser, os Beatles beberam muito na fonte daquela banda americana, tanto que seu repertório tinha vários covers deles. Neste post e nos próximos, vamos falar das canções dos Crickets das quais existe o registro da da interpretação dos Beatles em sua trajetória. Vamos falar um pouco sobre algumas curiosidades sobre o grupo. A biografia de Buddy Holly foi escrita num post do blog Biografias Musicais.

Para começar a série, vamos falar de uma das principais músicas dos Crickets That'll Be the Day, que foi escrita em 1956 por Buddy Holly e Jerry Allison (baixista dos Crickets) e tem creditado o nome do produtor da banda Norman Petty, embora ele não tenha participado do processo criativo. Holly, Allison e o primeiro guitarrista dos Crickets Sonny Curtis - não creditado na composição - tiveram a ideia do título ao assistirem ao filme The Searchers (Rastros de òdio) , onde o lendário John Wayne frequentemente usava a frase That'll Be The Day (algo como "esse será o dia"). Os Crickets gravaram uma primeira versão da música, que tinha uma levada mais Country, numa sessão realizada em Nashville. No ano seguinte, gravaram a versão mais conhecida que saiu no primeiro single dos Crickets (com lado B I'm Looking For Someone to Love) e em seu álbum The Chirpin' Crickets. Curiosidade: uma parte da letra tem um tom premonitório para Buddy ("esse será o dia quando eu morrer"), o vocalista principal.

Em 1958, quando os Quarrymen gravaram um disco demo no estúdio de Percy Phillips, escolheram That'll Be The Day e uma composição de Paul e George, On Spite of All the Danger. Naquela ocasião, além do trio central que faria história nos Beatles nos anos 60 (John, Paul e George), a banda contava com o baterista Colin Hanton (um dos fundadores dos Quarrymen) e o pianista John "Duff" Lowe que atuava na banda ocasionalmente. O tal disco acabou sumindo, depois de temporadas na casa de um ou outro membro da banda, tendo sido reencontrado em 1994 [quase trinta anos depois] e escolhido para fazer parte do álbum Anthology (1995).

Em 1973, Ringo participou de um filme chamado That'll Be The Day, protagonizado por David Essex e que contava a trajetória de um rapaz da classe operária inglesa no final dos anos 50 que tentava a sorte no mundo do Rock (talvez baseado na biografia de John). O curioso é que a música de Buddy Holly não está incluída na trilha sonora desse filme.

Paul comprou os direitos desta canção e de todo o catálogo de Buddy Holly em 1979.

Ficha técnica:

John: vocal principal, guitarra rítmica
Paul: backing vocals, harmonias, guitarra
George: guitarra líder
Colin Hanton: bateria
John "Duff" Lowe: piano

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/thatll-be-the-day

album-the-chirping-crickets
Disco de estréia de Buddy Holly & The Crickets

terça-feira, 15 de março de 2011

"Seo" Luar é meu amigo

Para o título do post, fiz um trocadilho entre uma frase da música Banho de Lua ("Se o luar é meu amigo, censurar ninguém se atreve") da nossa eterna Rainha do Rock brasileiro Celly Campello e a canção que vai ser tratada neste post. Sabem qual é? Ganhou um doce quem disse Mr. Moonlight!

A música foi composta em 1962 por Roy Lee Johnson e gravada originalmente por Piano Red, usando o pseudônimo Dr. Feelgood & The Interns. Foi lado B do single Dr. Feelgood e a canção estaria relegada ao limbo dos lados B's de discos lançados não fosse o fato de os Beatles, ainda em sua fase pré-Parlophone, usarem como estratégia tocar tais músicas em seus shows, diferenciando de outras bandas que preferiam os temas principais dos discos.

Piano Red (pseudônimo do pianista William "Willie" Lee Perryman) nasceu em 19 de outubro de 1911 em Hampton, Georgia que tinha uma peculiaridade curiosa: ele era um afro-americano albino. Aprendeu piano muito cedo e tentou a sorte tocando em clubes. Só foi estourar quando tinha quase quarenta anos em 1950 com os singles Rockin' With Red e Red's Boogie que alcançaram o top 5 das paradas de Rhythm & Blues. Em 1961, conheceu o guitarrista Roy Lee Johnson e formou a banda Dr. Feelgood & The Interns. Johnson é o compositor de Mr. Moonlight e o vocalista principal da versão original. Mesmo depois de Willie e Roy seguirem caminhos opostos, o pianista aprticipou de festivais de Blues e Jazz itinerantes pela Inglaterra granjeou o carinho dos músicos ingleses do final da década de 60 como o futuro guitarrista dos Wings Henry McCulloch (que batizou um pub do qual era dono com o nome Dr. Feelgood) e a banda Badfinger que lhe rendeu homenagem com a música Piano Red [note que tanto McCulloch e o Badfinger fazem parte da cronologia dos Beatles em momentos distintos].Willie morreu de câncer em 1985.

No show que os Beatles fizeram no Star Club em Hamburgo em 1962 (que virou o semi-oficial Live at Star Club, 1962), aparece uma versão mais primitiva da música. Depois, entrou para o repertório da banda em shows pela BBC e seria, enfim, colocada no set list das sessões do álbum Beatles For Sale (1964), que foi o penúltimo disco a conter covers.

A música é uma interessante mistura de Rhythm & Blues e levada latina e sua letra fala sobre a amizade de um cara com o "Senhor" Luar, que lhe concedeu o amor de sua vida. Lua é sinônimo de romance, capisce?

A música tem a curiosa introdução numa música gravada pelos Beatles de um tambor africano tocado por George e um solo de órgão Hammond muito bem tocado por Paul, além do grito inicial de John que faz estremecer as bases de quem ouve a canção. No álbum Anthology (1995) há um outtake onde ao invès do Hammond é o solo de guitara de George que entra em evidência.

Além dos Beatles, Mr. Moonlght foi gravada por The Hollies e The Merseybeats. Deve haver alguma outra versão obscura que o leitor pode indicar através dos comentários. Eu dou o devido crédito.

Ficha técnica:

John: vocal principal, violão
Paul: backing vocals, baixo, órgão Hammond
George: guitarra líder, tambor africano
Ringo: percussão, talvez bongôs

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/mr-moonlight/
http://www.beatlesebooks.com/moonlight
Piano Red (primeiro à esq.) ou Dr. Feelgood & The Interns:
os primeiros a tocarem Mr. Moonlght

Seltaeb so e Nevohteeb

Que raio de título é esse? Que língua é essa? É algum palavrão? Essas são algumas das perguntas que algum leitor pode fazer sobre o título do post. O título é Beethoven e os Beatles ao contrário. Podem conferir. Por que isso? É só uma piada com a matéria do post.

Vamos falar neste post de Because, uma bela composição de John, creditada a Lennon & McCartney que fez parte do álbum Abbey Road. Tudo começou quando num certo dia do ano de 1969, Yoko estava tocando ao piano a famosa Moonlight Sonata de Ludwig Van Beethoven. Ao ouvir a peça, veio um estalo na mente de John e ele pediu para Yoko tocar a música ao contrário. A partir disso, começou a compor Because. Entenderam agora o porquê da brincadeira no título?

John e Paul bolaram as harmonias vocais evocando o estilo dos Beach Boys. Elas são o supra sumo da canção. Foram gravadas triplamente para dar a impressão de um coro de nove vozes. Usando as técnicas de stéreo, os engenheiros de som conseguiram separar as vozes da parte instrumental, criando um efeito bonito quando a voz dos Beatles fica em evidência. Essa "versão a capella" apareceu no álbum Anthology 3 (1997). A canção foi a última a ser gravada para o álbum. Ringo não participa da faixa.

Há muitas versões da música gravada por outros artistas, dos quais destacamos Gary McGarland, Lynsey de Paul, Devo e Alice Cooper para o filme Sgt. Pepper's (1978). Recentemente, podemos citar a versão da violinista Vanessa-Mae para o álbum George Martin's In My Life e a interpretada por Elliott Smith.

Ficha técnica:
John: vocal principal tripla (a  voz intermediária), guitarras rítmica e líder
Paul: vocal principal tripla (a voz mais aguda), baixo
George: vocal principal (a voz mais grave), moog
George Martin: harpsicórdio

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/because/

Ludwig Van Beethoven (1770-1827), co-autor de Because?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Ensaios Caseiros - início

Os Beatles têm uma fonte inesgotável de material que nunca foi lançado oficialmente. A pré-história dos Beatles conta com uma série de canções que foram gravadas na casa de Paul entre abril e junho de 1960 que foram lançadas como bootlegs. A curiosidade é a participação de Stuart Suttcliffe nas gravações, sendo o único registro fonográfico dele como participante da banda. Ele havia, inclusive sugerido o nome The Beatals à banda, que àquela altura já não usavam o nome Quarrymen. A compílação das músicas tem vários nomes. The Quarrymen at Home 1960 foi um deles. Não há como precisar exatamente a data das gravações, portanto, o leitor está convidado a me dar uma força dando essas informações.

Para começar, falemos de uma das raras vezes em que Paul e George assinaram juntos uma composição. Estamos falando de Well Darling, que parece ser uma música bem simples que evoca Everly Brothers, uma das influências dos Beatles. Paul e George cantam o refrão e cada um canta uma estrofe alternada. Ali, George mostra sua destreza como guitarrista solista. É provável que tenha sido gravada em abril de 1960.

In Spite of All the Danger, uma outra composição creditada a McCartney & Harrison foi gravada em 1958 no acetato que eles fizeram no estúdio de Percy Phillips e só foi lançada oficialmente no álbum Anthology (1995).

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, guitarra
George: vocal principal, guitarra
John: guitarra
Stu: baixo

Fonte:
http://www.beatlesource.com/savage/1960

Casa de Paul na Fortlin Road nº 20 (1960)
Crédito da Foto: http://www.beatlesource.com/savage/1960

domingo, 13 de março de 2011

Não Aborreça o George parte 3

Nossa! Esse post está dando pano pra manga. Novamente estava eu numa navegação básica na Internet e me deparei com mais duas versões de Don't Bother Me. Não podia perder o "gancho" e cá estou postando esses novos dados.


A primeira versão vem da França e foi interpretada pelo grupo Les Lionceaux como o nome Mais Ne Viens Plus no disco  Je te veux tout à moi (1964), onde há outras músicas dos Beatles cantadas em francês. A banda foi formada em 1961 como grupo de Rock Instrumental no melhor estilo The Shadows, acompanhando alguns cantores locais como Johnnie Halliday, considerado o Elvis francês. Quando houve o estouro da Beatlemania, a França acabou se rendendo aos Fab 4 e os músicos franceses aderiram ao estilo. Les Lionceaux (que significa "os leõezinhos") não se fizeram de rogados e também entraram na onda. Após um sucesso expressivo, eles se separaram em 1966 mas acabaram voltando em 1993 e hoje em dia são uma banda de revival.


A outra versão foi gravada pela banda The Bells, uma das muitas que existiam na época da Jovem Guarda. A banda surgiu no início dos anos 60 e a exemplo dos Jordans e dos Incríveis, seus contemporâneos, os Bells também iam pelo caminho do Rock Instrumental. Isso até o advento da Jovem Guarda. A partir daí, tornaram-se uma das principais bandas do movimento, muito requisitados para acompanhar as grandes estrelas da JG como Roberto, Erasmo, Eduardo Araújo, Wanderley Cardoso, entre outros. Eles foram homenageados pelo Tremendão Erasmo Carlos no clássico da JG Festa de Arromba ("os Bells de cabeleira não podiam tocar, enquanto a Rosemary não parasse de dançar). Passada a Jovem Guarda, o grupo se separou e 20 anos depois, voltou a se reunir com um repertório mais eclético, estando na ativa até hoje em dia em torno do baterista fundador Ari.


Se alguém conhecer alguma outra versão, não se acanhe em informar nos comentários. Eu dou o devido crédito.


Fonte:
Wikipedia (em francês)
http://leslionceaux.centerblog.net/
http://www.myspace.com/bandathebells

Les Lionceaux e Johnnie Halliday em 1965



Capa de um disco do The Bells (1965)






















sexta-feira, 11 de março de 2011

Mamãezinha querida

Quem conhece a história dos Beatles sabe o quanto John era ligado à mãe, Julia Stanley Lennon que, embora não fosse presença constante na vida do menino num determinado tempo, foi fundamental para forjar seu caráter contestador e ferino e por sua genialidade que causou uma grande revolução na história da música do século XX. Muitos escritores/autores procuram explorar essa relação do líder dos Beatles com sua mãe, chegando a dizer que era algo edipiano [Não cabe a mim julgar, só estou escrevendo um post]. A verdade é que John compôs belas canções a partir de suas reminiscências infantis. Julia foi uma delas.

John começou a escrever a canção em 1968 quando os Beatles estavam na Índia, aproveitando o estilo dedilhado de tocar violão folk que havia aprendido com o amigo Donovan, que também estava naquele país com a banda. A bem da verdade, John quis falar não só da mãe como aproveitou a letra para fazer uma referência à sua amada Yoko Ono, a quem havia conhecido uns 2 anos antes [principalmente nos versos Oceanchild (significado em inglês para o nome de Yoko) calls me, algo como "criança (ou filha) do oceano me chama". Outro termo usado que fala de Yoko é "seashells eyes [olhos de concha]. A primeira parte da letra [Half of what I say is meaningless / But I say it just to reach you, Julia (metade das palavras que falo não tem sentido / mas as uso só para te alcançar, Julia] tirou do poema Sand and Foam do poeta libanês Kahlil Gibran.

É a única canção dos Beatles a contar com John tocando e cantando (com voz e guitarras dobradas) e é um momento sublime e pungente do álbum. Há uma versão primitiva da canção gravada na casa de George em Esher onde os outros Beatles participam fazendo coro à voz de John e há assobios no final.

Em 1990, durante um tributo a John, seu filho Sean cantou uma linda versão da canção. Não conheço nenhuma outra versão além desta o que deixo em aberto ao leitor informar nos comentários. Quem quiser informar mais alguma coisa, darei os devidos créditos.

Para finalizar, vejam só a coincidência: amanhã, 12 de março é o aniversário de Julia Lennon. Se estivesse viva, ela estaria completando 97 anos. Quando comecei a escrever o post, não me dei conta disso. Coisas de blogueiro...

Ficha técnica:

John: vocal principal dobrado, violão dobrado

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/julia/
John e sua mãe Julia: momentos felizes



quinta-feira, 10 de março de 2011

Get Back Sessions: começa aqui

Vamos começar neste post uma série que vai falar sobre uma das maiores fontes de bootlegs dos Beatles, as Get Back Sessions.

Tudo começou em janeiro de 1969 quando Paul, então alçado à condição de líder da banda propôs um projeto que levasse os Beatles às suas origens mais remotas, com os quatro tocando seus instrumentos e sem as trucagens (overdubs, orquestrações, etc.) que revolucionaram o trabalho da banda. Tudo seria gravado para um disco que teria o sugestivo nome de Get Back, que resultaria num filme da banda e numa possível volta dos Beatles às turnês, que eles pararam de fazer em 1966. Começava a "interminável" maratona de ensaios e jam sessions que forneceria inúmeros discos pirata da banda.

Para "inaugurar" a série, falemos de Commonwealth, uma jam improvisada creditada a Lennon & McCartney que nunca foi gravada em discos oficiais dos Beatles, pois Paul não gostou do resultado final. A música acabou dando origem ao clássico beatleniano Get Back. Consta que teria sido gravada em 9 de janeiro de 1969
Na letra, mais falada do que cantada, John e Paul criticam veemente a política britânica referente à imigração em voga na época. [Algum leitor sabe de algo mais? Pode se pronunciar nos comentários que dou o devido crédito].

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, baixo
John: backing vocal, guitarra rítmica
George: guitarra líder
Ringo: bateria

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/features/get-back-let-it-be-sessions-complete-song-list/


John e Paul: "metendo o pau" na política
de imigração da Comunidade Britãnica


Desafinado by The Beatles

Os Beatles gravaram esse clássico da Bossa Nova? Leia o post e você vai entender.

Only a Northern Song foi escrita por George em 1967 durante as sessões do álbum Sgt. Pepper's e começou a ser gravada com o título provisório de Not Known (desconhecido). Segundo George Emerick, engenheiro de som que trabalhou com os Beatles, ela foi deixada de fora por não combinar com as outras  músicas escolhidas para figurar no álbum. Só foi conhecer a luz do dia no álbum Yellow Submarine (1969), que foi feito aproveitando algumas coisas "enjeitadas" pelos Fab 4 dois anos antes.

Embora a música fale da localização de Liverpool (ao norte da Inglaterra), é uma crítica velada à predominância das composições de John e Paul nos álbuns dos Beatles e na editora que publicava a música da banda a Northern Songs. Você pode notar o sarcasmo de George em versos como "It doesn't really matter what chords I play What words I say or time of day it is As it's only a Northern song" ("realmente não importa que acordes toco, que palavras falo ou que horas são, é só uma canção da Northern"). Repare na letra da canção que a desafinação é proposital e faz parte do protesto de George. Isso chega a lembrar a proposta de João Gilberto quando compôs o clássico da Bossa Nova "Desafinado".

Numa parte instrumental da música percebe-se a seção de sopro de Sgt. Pepper's e os acordes ao acaso de Revolution 9 [do White Album].

Ficha técnica:
George: vocal principal, órgão, efeitos
John: glockenspiel (uma espécie de xilofone), piano, efeitos
Paul: baixo, trumpete, efeitos
Ringo: bateria, vozes ocasionais no final

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/only-a-northern-song/


George e sua versão no desenho Yellow Submarine

segunda-feira, 7 de março de 2011

Eu acho que vi um gatinho...

Vou aproveitar uma frase do Piu Piu, personagem da Looney Tunes para começar esse post que fala sobre uma das primeiras composições atribuídas a Paul: Catswalk.

Os Beatles tinham em seu repertório alguns números instrumentais que a banda fazia desde os anos 50, quando ainda se chamavam The Quarrymen, como os covers Guitar Boogie Shuffle (Bert Weedon), Movin' and Groovin/Ramrod (Duane Eddy) e Raunchy (Bill Justis) além de coisas próprias como Cayenne (Lennon & McCartney) e Cry For a Shadow (Harrison & Lennon).

Num ensaio do Cavern Club, provavelmente ocorrido em outubro, já contando com Ringo como baterista oficial, a banda resolveu gravar algumas coisas como uma versão primitiva de I Saw Her Standing There, dois takes de One After 909 e dois de Catswalk, sendo essa última creditada apenas a Paul, algo inusitado naquela época. É uma música instrumental cujo estilo remete, talvez a The Ventures ou The Shadows, contemporâneos dos Beatles que àquela altura já eram muito famosos na Inglaterra.

O interessante é que os Beatles não gravaram peças instrumentais em seus discos oficiais até 1967 quando Flying fez parte do álbum Magical Mystery Tour (1967).

Catswalk continuou no "limbo" até 1967 quando a banda Chris Barber Jazz Band se interessou em gravá-la usando o nome de Catcall (com Mercy Mercy Mercy como lado B), contando com a participação de Paul cantando num coro de vozes. Barber era reverenciado entre os músicos britânicos e gravar uma coisa (mesmo que obscura) dos Beatles deve ter sido uma honra e tanto.

Ficha técnica:

Paul: baixo
John: guitarra rítmica
George: guitarra líder
Ringo: bateria

Fontes:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesource.com/bs/mains/audio/xCavernReh/pg2.html
http://rateyourmusic.com/list/snellius/beatles__the_beatles_for_others__the_giveaways_

Os Beatles ensaiando no Cavern Club em 1962

Não Aborreça o George parte 2

Lembram-se quando falamos de Don't Bother Me? Quando escrevi o post não fiz uma pesquisa cabal sobre versões daquela canção. Quando eu estava verificando algumas coisas que baixei na internet, PIMBA: lá estava um cover da composição.

Quem gravou um cover de Don't Bother Me foi o cantor e ator britânico Gregory Phillips num single lançado em 1964 (lado B Make Sure That You're Mine) que foi um grande fracasso comercial (a exemplo do que aconteceu com outro cantor britânico, Tommy Quickly, que gravou material dos Beatles mas isso é mote para um futuro post).

Duas coisas a destacar: foi o primeiro cover de uma composição de George e teve a participação do futuro guitarrista dos Yardbirds e do Led Zeppelin, Jimmy Page, numa de suas primeiras incursões como músico de estúdio.

Não há muita informação sobre Gregory Phillips. Só se sabe que ele atuava na TV britânica em dramas infantis e que começou a tentar a sorte como cantor em 1963 gravando alguns singles, todos sem sucesso, apesar de ótimos compositores (Mitch Murray, Joe Brown e o nosso George) e um músico talentoso (Jimmy Page).

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://eil.com/shop/moreinfo.asp?catalogid=484519




Capa do single de Gregory Phillips (crédito www.eil.com)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Baseado no Soul

Num post anterior, havíamos falado da influência que o Soul tinha sobre os Beatles. O primeiro indício desse fascínio veio quando eles gravaram You Can't Do That e When I Get Home, duas canções que figuraram no álbum A Hard Day's Night (1964) com uma levada que remetia ao som da Motown e segundo John, uma homenagem a Wilson Pickett, grande soulman.

Quando os Beatles estavam compondo material para o álbum Revolver (1966), Paul teve a ideia de uma música que soasse ao estilo de metais de Soul de gravadoras como a Motown e a Stax, das quais os Beatles eram aficcionados. Para escrever a letra, Paul saiu do lugar comum. Ao invés de uma letra tendo como referência a amada e o sentimento de amor (uma de suas marcas registradas) fez uma homenagem à maconha, como ele mesmo confessou anos depois [um leitor mais atento vai endender o título do post]. Não se sabe ao certo quando os Beatles começaram a fumar maconha e nem quero entrar no mérito da questão. O fato é que Got to Get You into My Life é uma ode à marijuana. Veja a letra.

Segundo Mark Lewinsohn, que escreveu um livro sobre as sessões de gravações dos Beatles, foi a segunda música a ser gravada para o Revolver, seguida de Tomorrow Never Knows. O engraçado é que as duas músicas gravadas primeiro foram colocadas por último na sequencia do álbum. Nos primeiros takes, a banda teve a ideia de colocar algumas vocalizações em torno do vocal principal. Mas conforme a sessão ia transcorrendo, a proposta foi abandonada e ficou do jeio como nós conhecemos: um naipe de metais fazendo a introdução e apenas o vocal de Paul na música toda. Quase no final, George faz um riff que remete a Paperback Writer. A versão inicial com os backings foi lançada no álbum Anthology 2 (1995).

Quando a música inda estava em fase de "gestação", no início de 1966, Paul mostrou-a a Cliff Benett, cuja banda The Rebel Rousers, tocou com os Beatles durante a derradeira turnê dos Fab 4. Como a música seria lançada no álbum e não em single, Bennett propôs a Paul usá-la num disco de sua banda com a produção do Beatle. Não deu outra: a versão de Cliff Bennett & The Rebel Rousers alcançou o sexto lugar nas paradas britânicas.

Em 1976, a versão do Revolver foi lançada como single da coletânea Rock and Roll Music, tendo como lado B Helter Skelter.

Em 1978, a música foi regravada pelo grupo de Soul Earth Wind & Fire num single e numa coletânea. Foi um estrondoso sucesso do EW &F. Figurou, ainda, no filme Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band lançado naquele ano.

Há outras versões conhecidas que foram interpretadas por Blood Sweat & Tears, Tina Charles, Thelma Houston, Diana Ross e Four Tops [estes dois últimos, por coincidência, artistas da Motown], entre outros.

É parte recorrente do repertório dos shows que Paul tem feito em sua carreira pós-Beatles.

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, baixo
John: guitarra rítmica
George: guitarra líder
Ringo: bateria, pandeiro
George Martin: órgão
Naipe de metais (brass ensemble)
Eddie Thornton, Ian Hamer, Les Condon: trumpetes
Alan Branscombe, Peter Coe: sax tenor

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/got-to-get-you-into-my-life/


Paul em 1966: Muito Soul

quinta-feira, 3 de março de 2011

E o Oscar vai para...Ringo!

Todo mundo sabe que o Ringo, dentre os Beatles é o que tem um currículo cinematográfico mais extenso, contando os filmes que ele fez enquanto era um dos Fab 4. Os Beatles ganharam um Oscar por Let It Be e Ringo nunca teve uma indicação como ator. Mas não é isso que vem ao caso neste post. Vamos falar sobre Act Naturally, canção que Ringo canta no álbum Help! que cita o famoso prémio do Cinema norte-americano.

A canção foi composta por Johnny Russell e Voni Morrison e interpretada originalmente por Buck Owens em 1963 e alcançou o posto mais alto da parada Country americana daquele ano. A composição tem uma historia interessante. Johnny Russell (1940-2001) era um cantor e compositor americano que nos idos de 1960 foi chamado por seu amigos para participar de uma sessão de gravação, indo de Oklahoma até Los Angeles. Como tinha um compromisso com a namorada, teve que "dar-lhe o cano".  Questionado por sua amada do porque da viagem inesperada, Russell respondeu, brincando, que os amigos iam fazer um filme e torná-lo um astro de cinema. Aquela conversa com a namorada ficou repercutindo na cabeça do jovem cantor e quando chegou a Los Angeles já estava com a música pronta. Tentou ensiná-la a um cantor que acompanhava a gravação mas infelizmente não conseguiu seu intento. Pensou em gravá-la ele mesmo mas o produtor do estúdio demoveu-o da ideia dizendo que músicas sobre filmes não poderiam ser hits. Levou uns dois anos para que encontrasse alguém disposto a gravar sua canção. Isso aconteceu em 1963, graças a um encontro que teve com Voni Morrison, que trabalhava com o cantor Country Buck Owens. Ela gostou do que ouviu e disse que, por ser uma canção ainda inédita, Owens poderia se interessar em gravá-la. Russell prometeu a Morrison que, se isso acontecesse ele dividira com ela os créditos pela composição. Owens acabou gravando Act Naturally, apesar de não ter gostado dela a princípio e obteve um grande sucesso.

Em 1965, quando os Beatles estavam no estúdio para gravar as sessões do álbum Help!, John e Paul tinham escrito If You've Got Trouble para o baterista, mas não conseguiram chegar a um resultado satisfatório. Ringo sugeriu a eles colocar no set list Act Naturally, que ele já tinha aprendido e a dupla assinou embaixo. Não deu outra: a versão cantada por Ringo figurou no Help! e como lado B do single americano de Yesterday. Além disso, era a canção que o baterista cantava nos shows da banda (junto com I Wanna Be Your Man). Veja a letra.

Em 1989, Ringo e Buck Owens regravaram juntos a canção e foi feito um clipe muito engraçado retratando a dupla como dois cowboys de filmes.

Ficha técnica:

Ringo: vocal principal, bateria e baquetas
John: violão
Paul: backing vocal, baixo
George: guitarra líder

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/act-naturally/

Ringo: as baquetas mais rápidas do Oeste

quarta-feira, 2 de março de 2011

É pra você, Cilla

Neste post, vamos falar de It's For You, uma bela composição que John e Paul escreveram para a amiga dos Beatles, a cantora Cilla Black, cujo nome de batismo é Priscilla Maria Veronica White. Hora dessas eu escrevo a história dela no meu blog Biografias Musicais.

Cilla já tinha gravado antes outra gave away song de Lennon & McCartney, Love of The Loved (1963). Paul fez uma fita demo da canção e mostrou-a a George Martin, que já tinha trabalhado em outros singles da cantora. Tanto Paul quanto John estavam nas sessões de gravação ajudando Martin com sugestões. Consta que Paul teria tocado piano, mas não há comprovação.

A canção tem uma bela construção melódica bem ao estilo de Burt bacharach, de quem Cilla já tinha gravado um single anterior e a letra fala de uma pessoa que acredita muito no sentimento que vem do coração.

Além de Cilla, há outras versões da canção sendo que a mais conhecida era a interpretada à capella pelo grupo americano Three Dog Night em seu disco de estréia.

Há também as versões da banda holandesa Bas Muis, da australiana The Beatniks e a argentina The Beats, todas Beatles-Tribute.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
John e Paul ofereceram belas canções a Cilla Black

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Los Beatles y su latinidad: Step Inside Love/Los Paranoyas

Na esteira do post anterior, vamos falar de outras duas canções das sessões de gravação de I Will.

A primeira é Step Inside Love, uma gave away song que Paul havia composto em 1968 para Cilla Black, uma das protegidas de Brian Epstein, o empresário dos Beatles. Cilla já havia gravado outras canções cedidas por Lennon & McCartney como Love of The Loved e It´'s For You. Paul havia gravado uma demo em 1967, que se tornou um bootleg.

É uma bela canção com uma levada bem ao estilo da Bossa Nova em que as características românticas de Paul como compositor são perceptíveis. A letra fala sobre o sentimento de proteção que o amor traz. No caso da sessão de I Will, a banda tocou um trecho da música e já emendou com a próxima.

Los Paranoyas começa com Paul anunciando uma banda fictícia chamada Joe Prairie and Prairie Wallflowers, no que John emenda com Los Paranoyas, talvez uma brincadeira com um grupo latino que apareceu em programs da BBC nos anos 50 chamado Trio Los Paraguayos que tocou no mesmo show que os Beatles fizeram para a rainha em 1963. Seguindo a brincadeira, vem uma "bossa nova do inglês doido" com Paul cantando algo como "Los Paranoyas convidam vocês para que os divirtam" e John repetindo com voz cômica: I can't make it! [= não posso fazer isso!] . É mais uma forma de rimar "Paranoyas" com "enjoy us". Não espere muito sentido nessa brincadeira musical  non sense que foi creditada aos quatro Beatles (embora George não tenha participado dela).

Essa divertida jam session foi lançada no álbum Anthology 3 (1997). Quem souber da verdadeira história por trás de Los Paranoyas, por favor, pode dar a referência nos comentários, o que será devidamente creditado. Come on, enjoy us!

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, violão, falas
John: percussão, falas
Ringo: chocalho

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/los-paranoias/
http://www.dmbeatles.com/forums/index.php?topic=8578.0

Joe Praires & Prairies Wallflowers, isto é, Los Paranoyas

Los Beatles y su latinidad: I Will

Com sabemos, os Beatles também adquiriram fascínio pela música latina. tanto que em seus shows ainda como banda obscura, eles tinham em seu repertório Besame Mucho (ainda que a versão do grupo vocal The Coasters). Embora algumas músicas dos álbuns dos Beatles tivessem alguma conotação latina (Ask Me Why, PS I Love You e And I Love Her, principalmente) foi só em 1968 que a veia latina dos Beatles veio à tona numa das sessões do álbum The Beatles (ou White Album). Neste post e no seguinte vamos falar das canções desse set latino.

Para começar, vamos falar de I Will, uma bela composição de Paul que ele fez quando da ida dos Beatles à Índia. Pelo menos a letra Paul compôs durante essa estada dos Fab 4 naquela ex-possessão britânica. Quando começaram a sessão de gravação da música, apesar da ausência de George, começaram a fazer uma brincadeira utilizando elementos latinos. Aí vieram Step Inside Love e Los Paranoyas e um trecho curto de The Way You Look Tonight, uma canção de 1936 de  Dorothy Fields e Jerome Kerns, um dos belos standards daquela década, cuja versão original foi cantada por Fred Astaire no filme Swing Time (lançado em português com o nome Ritmo Louco). Graças, principalmente a essa última, a composição de Paul tomou seu formato final.

A letra fala sobre a promessa de amor eterno e é um dos mais belos momentos do White Album, mostrando a característica marcante de Paul como romântico incorrigível. Foi uma de suas primeiras composições  tendo por musa sua namorada Linda, a futura sra. McCartney.

Ficha técnica:

Paul: vocal principal, harmonias, violão
John: percussão
Ringo: címbalo, bongôs, maracas

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/songs/i-will/


O romântico Paul e sua
eterna musa Linda


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

George interpreta Harrison

E fechando essa série, vamos falar de uma das mais belas canções harrisonianas: I Need You, que mostra a evolução do caçula dos Beatles em termos de composição. Foi a segunda composição dele a figurar num álbum dos Fab 4.

Ela teria sido composta para em 1965 Patty Boyd, namorada de George que ele havia conhecido durante as filmagens de A Hard Day's Night (1964). Os pombinhos casaram-se em 1966 [e se separaram em 1972].

A canção fez parte do álbum Help! (1965) e foi a primeira composição de George a figurar num filme dos Beatles. Uma particularidade de sua estrutura musical é o uso do pedal de volume, criando um belo efeito que influenciou muitos guitarristas aficcionados por George como o nosso Marcus Rampazzo. As harmonias vocais feitas por John e Paul também são dignas de nota.

A letra fala da necessidade que um homem tem de estar ao lado de sua amada.

Nos anos 70, a banda inglesa America gravou uma canção de mesmo nome [que fez um enorme sucesso] mas que nada tem a ver com a composição de George (fora o tema central).

Termino esse post fazendo coro com todos os beatlemaníacos do mundo: HAPPY BIRTHDAY, DEAR GEORGE!

Ficha técnica:

George: vocal principal dobrado, guitarra líder, efeito do botão de volume
John: harmonias, violão
Paul: harmonias, baixo
Ringo: bateria, cowbell

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/i-need-you/

George e Patty: amor que não durou
mas rendeu belas composições
Crédito: 
Fox Photos/Getty Images

George Interpreta Lennon & McCartney

Continuando a série, vamos falar sobre uma das únicas canções interpretadas por George que foram compostas por seus parceiros, John e Paul: Do You Want To Know a Secret?


A bem da verdade, a canção foi composta em sua maior parte por John [embora Paul se considere uns 50% pai da criança], que a teria escrito especialmente para George, tendo como inspiração I'm Wishing, uma canção do clássico da animação da Disney Branca de Neve e os Sete Anões. John, num depoimento teria dito em tom de brincadeira: "eu a compus para George por que tinha só umas três notas e ele não era o melhor cantor do mundo". John acrescentou: "mas ele melhorou muito desde então".

A canção fez parte do álbum Please Please Me (1963) e foi uma das duas contribuições de George para o álbum (a outra música foi Chains, lembra?) e foi lançada um ano depois em single nos EUA com Thank You Girl como lado B. Ela nunca foi lançada desta forma na Inglaterra porque a música havia sido oferecida a Billy J. Kramer with The Dakotas em seu single de estréia (que tinha como lado B I'll Be On My Way, também de Lennon & McCartney) que alcançou o primeiro posto nas paradas britânicas.

A letra fala sobre um segredo de amor partilhado eternamente entre um casal de namorados e foca um pouco na influência dos grupos de Doo Wop sobre a banda [lembra os shoo-ra-roos do corinho feito por John e Paul?].

Ficha técnica:

George: vocal principal, guitarra líder
John: backing vocals, guitarra rítmica
Paul: backing vocals, baixo
Ringo: bateria, baquetas tocadas no middle eight

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/do-you-want-to-know-a-secret/

Quer saber um segredo? George é o cara!

George interpreta Covers

Hoje é aniversário do George e vamos fazer uma homenagem a ele neste e nos próximos dois posts, mostrando algumas de suas facetas enquanto Beatle. Para abrir esta série vamos falar sobre Everybody's Trying To Be My Baby, um dos muitos covers que George cantou com os Fab 4.

Essa musica foi composta e gravada originalmente por Carl Perkins em 1957, uma das grandes influências dos Beatles, sobretudo para George. As músicas de Perkins faziam parte do repertório da banda em seus primórdios e apenas algumas acabaram aparecendo em discos oficiais e bootlegs dos Beatles. Hora dessas eu posto uma matéria sobre o grande Carl Perkins no blog Biografias Musicais.

Everybody's... acabou figurando no álbum Beatles For Sale (1964) e em alguns programas da BBC. Reza a lenda que quando os Beatles estavam gravando as sessões da canção, Carl Perkins estava na cabine de som conferindo os takes feitos pela banda. Imaginem o orgulho dele ao ver seus pupilos prestando-lhe esse tributo...

A letra da canção em estilo Rockabilly fala de um sujeito disputado pela mulherada [no melhor estilo "mamãe passou açúcar em mim" do nosso querido e saudoso Wilson Simonal].

George acabou tocando essa canção junto com seu ídolo num especial chamado Carl Perkins & Friends.

Ficha técnica:

George: vocal principal, guitarra líder
John: guitarra rítmica, pandeiro
Paul: baixo
Ringo: bateria

Fonte:
http://www.beatlesbible.com/songs/everybodys-trying-to-be-my-baby/

George: grande fã de Carl Perkins